quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Lição 4 - O Poder irresistível da comunhão da igreja



Texto Bíblico: Atos 2.40-47

Introdução

I. A Comunhão dos Santos
II. A Comunhão Cristã Caracteriza-se Pela Unidade
III. Os Frutos da Comunhão Cristã



KOINONIA: A COMUNHÃO CRISTÃ NUMA DIMENSÃO TERRENA

Prezado professor, uma igreja local dividida não terá êxito em sua jornada terrena e jamais alcançará o objetivo de evangelização mundial. Você tem a oportunidade de desenvolver, nesse domingo, um assunto que foi determinante para o crescimento da Igreja Primitiva em Atos dos Apóstolos: A COMUNHÃO CRISTÃ.

A palavra Comunhão, de acordo com o texto bíblico no original, tem um sentido bem amplo. Proveniente do grego koinê, o termo remetente a essa palavra é KOINONIA. Este expressa os seguintes significados: “participação, quinhão; comunicação, auxílio, contribuição; sociedade, comunhão, intimidade, ‘cooperação’; (nos papiros, da relação conjugal)”1  . A ideia da palavra é expressar o vínculo perfeito de unidade fraternal dentro de uma comunidade específica cujas características essenciais são a cooperação e o relacionamento mútuo. 

A Igreja de Cristo é a reunião de diversas pessoas (diferentes classes sociais, sexos e etnias). Estas formam numa determinada localidade ou espaço público - seja no bairro, no município, no Estado ou até mesmo no país - a “assembleia” visível [a comunidade do Altíssimo] e convocada por Deus para proclamar o Evangelho da salvação a toda criatura. Para atingir este alvo, a comunhão cristã tem um papel preponderante na divulgação das Boas Novas.
Através da koinonia, a Igreja Cristã denotará a relevância do Evangelho de Jesus Cristo a uma sociedade, cuja paz e a verdadeira dignidade humana são seu objeto de busca frequente. 

A igreja local está estabelecida nessa sociedade. Aquela precisa ser relevante e autêntica no desenvolvimento de suas ações. Por isso a comunhão do Corpo de Cristo deve transparecer uma realidade visível de amor ao próximo entre os irmãos. Só assim que a sociedade sem Deus reconhecerá a graça acolhedora da igreja local e atentará para a proclamação do Evangelho de Cristo Jesus (At 2.46,47). 

_____________________________________
1TAYLOR, W. C. Dicionário do N T Grego. 10. ed.
Rio de Janeiro: Imprensa Batista Regular, 2001, p. 119.





Proposta de Atividade Prática

Professor, por estarmos na estação do verão é comum nesse período ocorrerem pancadas de chuvas fortes ao final do dia. Por isso muitas regiões brasileiras são vítimas de enchentes e deslizamentos de terra.

Foi notícia nacional o sofrimento de moradores da região serrana do Estado do Rio de Janeiro (Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo). Entre eles estão vários de nossos irmãos que tiveram suas vidas ceifadas, e, outros que se encontram desabrigados por causa do grande fenômeno natural que lhes sobreveio às semanas passadas. Algumas cidades dos estados de São Paulo e Minas Gerais, e outras regiões, também sofreram com as enchentes e estão com seus moradores carentes de ajudas humanitárias.

Destarte, nossa proposta para essa semana é que você ore por todos familiares das vítimas desses recentes desastres naturais. Ore para que eles identifiquem os seus entes queridos ainda desaparecidos. Mas além de orar, propomos que você mobilize seus alunos com o objetivo de recolher donativos como roupas, materiais de higiene pessoal, alimentos não perecíveis e água potável. São os itens de maior urgência para a população vitimizada por esses desastres.

Procure informações sobre postos de doações em sua cidade. Universidades, Igrejas Locais, Associações, ONGs, etc., estão de plantão em diversas regiões do país recolhendo os donativos para amenizar o sofrimento do nosso próximo.

Para alcançar o objetivo desse trabalho é importante parceria, propósito unânime e comunhão no seu desenvolvimento e execução. Não poderia haver um momento mais natural para colocarmos em prática o que temos aprendido. Deus o abençoe e tenha uma boa aula!


Fonte: CPAD

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O poder irresistível da comunhão na Igreja - 1º Trimestre/2011



 Por Altair Germano

Lição 4 - 1º Trimestre de 2011
Texto Bíblico: Atos 2.40-47
Texto Áureo: Ef 4.3,4

Comunhão e unidade são dois temas que não podem estar desassociados.

A COMUNHÃO DOS SANTOS


O termo grego para “comunhão” é koinonia, que significa “tendo em comum, sociedade, companheirismo”. Dentre outras coisas, denota a parte que alguém tem em algo: "É, assim, usado acerca: das experiências e interesses comuns dos cristãos (At 2.42; Gl 2.9)” (VINE, 2003 p. 485).

Arrington (2003, p. 639) afirma que:

A palavra "comunhão" (gr. koinonia) expressa a unidade da igreja primitiva. Nenhuma palavra em nosso idioma traduz seu significado completamente. Comunhão envolve mais que um espírito comunal que os crentes compartilham uns com os outros. É uma participação comum em nível mais profundo na comunhão espiritual que está em Cristo.

Desta forma, comunhão dos santos é mais do que a simples partilha de bens materiais, é o desfrutar comum das bênçãos espirituais e da participação no corpo de Cristo pelo Espírito.

O termo “santos”, do grego hágios, é geralmente utilizado no plural para identificar todos os que professam a fé em Cristo (Rm 1.7; 1 Co 1.2; Ef 1.1 ss).

A expressão “comunhão dos santos”, do latim communio sanctorum, não aparece na Bíblia, embora idéia esteja presente. O termo foi utilizado pela primeira vez por Nicéias (ou Nicetas) de Remesiana, por volta de 400 d.C.

Conforme o Dicionário Bíblico de Wycliffe (2006, p. 439), os ensinos sobre esta verdade se apresentam da seguinte forma:

- O surgimento da comunhão dos santos: A comunhão dos santos surge com o novo nascimento (Jo 3.1-12), sendo desta forma, limitada àqueles que estão em Cristo Jesus (2 Co 5.7). Por ter um Pai espiritual comum, possuem uma irmandade espiritual comum (Hb 2.11-13)

- A essência da comunhão dos santos: A comunhão representa a unidade espiritual que liga os crentes a Jesus e uns com os outros (Jo 15.1-10; 17.21-23; Ef 4.3-16). Embora transcenda os laços naturais (Gl 3.28; Cl 3.11), não elimina as diferenças comuns às pessoas (1 Co 7.20-24; Ef 6.5-9).

- Os resultados da comunhão dos santos: O compartilhamento mútuo das bênçãos materiais (Rm 12.13; 15.26, 27; 2 Co 8.4; 9.9-14; Fl 4.14-16) é um das manifestações visíveis desta comunhão. Em um nível mais elevado, como já colocamos, a participação nos dons espirituais (MT 25.15; 1 Co 12.1-31) dentro da comunidade cristã, é outra forma de manifestação da comunhão dos santos.

Barclay (2000, p. 7), identifica sete aspectos da comunhão que caracteriza a vida cristã:

- A comunhão que implica um compartilhar de amizade (1 Jo 1.3)

- A comunhão que implica um compartilhar dos bens materiais (Rm 15.25; 2 Co 8.4; 9.13; Hb 13.16)

- A comunhão que implica uma cooperação na obra de Cristo (Fp 1.5)

- A comunhão que implica uma convivência na comunidade da fé (Ef 3.9)

- A comunhão implica uma relação com o Espírito (2 Co 13.14; Fp 2.1)

- A comunhão implica uma relação com Cristo (1 Co 1.9; 10.16; Fl 3.10)

- A comunhão implica uma relação com o Pai (1 Jo 1.3, 6)

A koinonia cristã, conforme Barclay, é aquele vínculo que liga os cristãos uns aos outros, a Cristo e a Deus.

A COMUNIDADE DOS BENS

Existem evidências históricas de que a “comunidade dos bens”, entendida como a participação comum de um grupo em todos os bens dos membros deste grupo, foi idealizada por Pitágoras (Kenner, 2004, p. 345) como um modelo utópico e ideal de convivência. Williams (1996, p. 78) e Champlin (2001, p. 824) fazem referência citação de Filo louvando os essênios por esta prática. Josefo (2005, p. 827) relata sobre os essênios:

Possuem todos os bens em comum, sem que os ricos tenham maior parte que os pobres”. E ainda, “Assim, eles se servem uns dos outros e escolhem homens de bem da ordem dos sacerdotes, que recebem tudo o que eles recolhem de seu trabalho e têm o cuidado de fornecer alimento a todos. (Idem)

O Novo Testamento registra em várias passagens esta prática (Jo 12.6; Lc 8.3; At 4.36, 57 e 5.1), estando o principal episódio registrado em Atos 2.42-47. Para Champlin (Idem):

A partilha informal, naturalmente alicerçada sobre o amor de um crente por outro, é o padrão das virtudes cristãs, mas isso não precisa transformar-se em uma partilha formal e obrigatória de bens.

IGREJA E COMUNISMO

Alguns defendem a idéia de que Atos 2.42-47 é uma proposta bíblica para o comunismo. “Porém, não há qualquer dogma, no Novo Testamento, no sentido de que a experiência deveria ser universal, compulsória e permanente”. (ibdem, p. 826). Observemos a posição de outros estudiosos das Escrituras:

O fato de mais tarde Barnabé ser destacado por vender uma propriedade indica que esta prática não é algo que todos os crentes fazem (At 4.36,37). Os novos crentes estão dispostos a compartilhar suas possessões quando surgem necessidades (v. 45). O termo comunismo não descreve esta prática. Antes, eles estão expressando amor espontâneo, e é completamente voluntário. (ARRINGTON, 2003, p. 640)

“O amor cristão manifestou-se num programa social de assistência material aos pobres. Essa atitude cristã de partilhar com os outros parece que se limitou aos primeiros anos da igreja de Jerusalém e não se estendeu às novas igrejas conforme o Evangelho foi sendo levado através da Judéia.” (PFEIFFER; HARRISON, 1987, p. 245)

Um dos resultados foi a prontidão dos crentes em partilhar seus bens uns com os outros. Isto se tornou prática comum entre os crentes. O verbo está no imperfeito e podia ser traduzido assim: ‘continuavam a usar todas as coisas em comum’. Para esses cristãos a espiritualidade era inseparável da responsabilidade social (Dt 15.4s; At 6.1-6; 11.28; 20.33-55; 24.17 ss). Parece que o comunitarismo teria sido uma solução provisória neste caso, e necessário naquela circunstância. (WILLIAMS, 1996, p. 77)

É verdade que Jesus ordenou a um jovem governante rico que vendesse os seus bens e desse o dinheiro aos pobres (Lc 18.18-30), mas a razão para a ordem era testar a fé, e não forçar um nivelamento social e econômico. [...] Jesus disse: ‘Porquanto sempre tendes convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre’ (Mt 26.11). (PFEIFFER; VOS; REA, 2006, p. 440)

Que conclusões podem ser tiradas, então, com respeito à abordagem bíblica ao comunismo? Em primeiro lugar, A Bíblia certamente não apóia o Comunismo Marxista com sua filosofia anti-Deus e seu conceito de guerra de classes. Várias passagens (por exemplo Ef 6.5-9; Cl 3.22; 4.1) admoestam os trabalhadores a ter boas relações com os seus patrões e vice-e-versa. Segundo, a posse pública da propriedade entre os crentes parece ter sido restrita a Jerusalém. (Idem)

Para concluir, entendo que tanto o Capitalismo Selvagem, quanto o Comunismo Utópico, são sistemas sócio-político-econômicos desprovidos dos princípios bíblicos de amor, comunhão, voluntariedade e generosidade.

Como bem colocam Pfeiffer, Vos e Rea (Idem, p. 441):

Se os crentes hoje desejarem viver em um acordo onde os cristãos tenham a posse pública dos bens, eles devem se sentir livres para assim proceder; mas a Escritura não os obriga a viver desta maneira, e eles não devem julgar os outros crentes que preferem usufruir a posse privada da propriedade. Todos devem lembrar de que são meramente mordomos de tudo o que Deus lhes tem dado, e que são exortados a exercitar a mordomia fiel das posses que lhe foram confiadas.

A UNIDADE ORGÂNICA DO CORPO DE CRISTO

O texto de 1 Co 12.12-27, que trata da unidade orgânica da Igreja, nos possibilita a compreensão de verdades essenciais para a transformação da nossa maneira de ser, pensar, falar e agir sobre este organismo vivo e espiritual no qual estamos inseridos, do qual fazemos parte.
- Fomos todos batizados em um corpo (v. 13a)
Em termos orgânicos e espirituais, a Igreja não é formada de “corpos”, antes, é um corpo formado de “membros”. Os verdadeiros cristãos, independente de onde estejam, separados por barreiras denominacionais, doutrinárias, ideológicas, conceituais, geográficas, sociais ou qualquer outra, são membros “colocados” para dentro de um único corpo.
- Bebemos todos de um só Espírito (v. 13b)
O Espírito é a fonte de onde emana vida espiritual. Pelo Espírito somos saciados e nutridos com a vida de Deus. Todo o corpo com os seus membros podem funcionar perfeitamente, pois não haverá escassez desta água renovadora. Todos podem beber, pois não há acepção de órgãos. Não há privilégios apenas para alguns. A fonte é abundante e inesgotável.
- Temos o sentido de ser e fazer apenas na relação com o outro (v. 14-23)
A interdependência é a tônica que rege os órgãos do corpo. Um órgão não tem sentido sem o outro, pois só existe para servir, não é um mero adereço no corpo. Nenhum órgão subsiste naturalmente fora do corpo. Só no corpo ele “é”, e apenas no corpo ele “faz”, se realizando numa relação de reciprocidade de serviço e de utilidade. Ser órgão é ser “parte de”, e não “ser em si”.
- Precisamos ter cuidado com o que pensamos e dizemos (v. 15, 16 e 21)
O pensamento precede a fala. A boca fala daquilo que o coração está cheio. A fala manifesta os segredos da alma. O fato de achar e dizer que não somos do corpo não nos tiram do corpo. Afirmar que não precisamos um outro, além de manifestar arrogância, revela também o nosso auto-engano. Precisamos sim um dos outros. Não podemos negar isto com ações ou palavras. Sozinhos não iremos longe. Sozinhos morreremos.
- Contentemo-nos com a posição que ocupamos no corpo (v. 18 e 24)
É necessário saber que é Deus quem dispõem, coloca, coordena e concede lugares, funções e honras no corpo. Não é simplesmente uma escolha pessoal, antes, se trata de uma determinação soberana e graciosa. Soberana, pois tudo é de Deus, e graciosa, pois não é meritória, não é fruto de nossas obras ou méritos pessoais ocupar este ou aquele lugar, esta ou aquela função, receber esta ou aquela honra. Tudo é dele e para Ele.
- Cuidemos uns dos outros com igual cuidado (v. 25)
É preciso entender que somos como membros do mesmo corpo, cuidadores. Cuidar implica em nutrir, suster, socorrer, ajudar, ouvir, apoiar e outras ações. Mas, não devemos apenas ser cuidadores. Precisamos cuidar de todos sem acepção, sem preferencialismo. É fazer o bem sem ver a quem. Trata-se de ação misericordiosa e desinteressada. Cuidar é amar. Cuidar é fazer o que deve ser feito, norteado pelos mais nobres sentimentos e objetivos.
- Soframos com o sofrimento alheio (v. 26a)
A indiferença para com o sofrimento dos outros órgãos do corpo, por suas disfunções, enfermidades, carências ou doenças, não é uma atitude esperada ou desejada de quem está comprometido com o todo. Chorai com os que choram. Se coloque no lugar do outro. Tente perceber suas dores, medos, temores, ansiedades, angústias e frustrações.
- Alegremo-nos com a alegria alheia (v. 26b)
A inveja, conceituada como “profunda tristeza com o sucesso, conquistas, vitórias, bênçãos e felicidade dos outros” pode impedir, de alegrarmo-nos com a alegria do no nosso irmão, do outro membro. Celebremos, festejemos, regozijemo-nos, alegremo-nos quantas vezes for necessário com a forma de Deus honrar o nosso próximo.
- Tenhamos uma visão geral do corpo (v. 27a)
Uma visão geral nos possibilita uma compreensão macro da unidade, da comunhão, da interdependência, da grandeza, da beleza, da magnitude, da força, da vitalidade, do crescimento, da força, da inteireza de ser corpo de Cristo. Trata-se de uma visão onde o “eu” se funde com o “tu” formando um “nós”.
- Tenhamos uma visão sistêmica do corpo (v. 27b)
Tal visão nos proporciona uma percepção mais apurada e individualizada da multiplicidade de funções (multifuncionalidade) dos órgãos e membros, das suas particularidades, atribuições e interligações. Das nossas possibilidades de agregar valor ao corpo, e do valor que os demais membros agregam a este corpo.
Uma compreensão da unidade orgânica do corpo é vital para o seu próprio crescimento, para a manutenção de sua saúde e funcionalidade, tanto numa perspectiva do todo, como na perspectiva de cada membro deste corpo.
UNIDADE DOUTRINÁRIA
Sobre "unidade doutrinária", recomendo a leitura dos posts abaixo, publicados neste blog, que expressa a realidade que vivenciamos em termos de Assembleia de Deus no Brasil:
UNIDADE DENOMINACIONAL
Em pleno ano do Centenário, vivenciamos também uma crise na unidade denominacional. Tal crise é caracterizada:
- Pelos litígios convencionais e ministeriais nos estados e regiões, onde em alguns lugares os membros e obreiros de uma convenção, ministério ou igreja, são proibidos de visitar ou participar da atividade da "outra", sob pena de disciplina ou exclusão. É verdade que alguns litígios são provocados pela ganância, vaidade, falta de respeito e de submissão de alguns. Nestes casos, os órgãos competentes deveriam cooperar na busca de soluções que promovessem o mínimo de respeito possível, não deixando a coisa correr à revelia. É bom também salientar, que há casos onde a Bíblia recomenda a não associação com alguns que se dizem "irmãos", mas que não vivem de acordo com o Evangelho de Jesus (1 Co 5.11-13).
- Pela "mercadologização" da fé, onde igrejas são abertas da mesma forma que se abre uma loja, sem "cliente" algum (ou poucos), mas sob a confiança dos empresários da fé em estratégias de crescimento fundamentadas em técnicas de marketing, uso da mídia e "pescarias em aquários".
Talvez alguns se contorçam diante do aqui exposto, que trata de fatos presentes também na igreja primitiva e tratados abertamente no Novo Testamento (penso que muitos se contorceram na época com as declarações de Paulo), mas não podemos fingir que nada está acontecendo, tentando procrastinar soluções ou mascarar a realidade com belos discursos e grandes festividades.
Estudar uma lição bíblica deste nível, sem procurar aplicar os seus ensinamentos à nossa realidade, é pura retórica, é mero auto-engano, é um pecado grave.
Busquemos a verdadeira comunhão e unidade bíblica, sejamos cumpridores da Palavra, e não nos enganemos com falsos discursos (Tg 1.22)
BIBLIOGRAFIA


ARRINGTON, French L; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

BARCLAY, William. Palavras chaves do Novo Testamento. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2000.

CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5. ed. São Paulo: Hagnos, 2001. v. 1

GERMANO, Altair. Estudos bíblicos e escritos. Recife-PE: Edição do Autor, 2010.

JOSEFO, Flávio. História dos hebreus: de Abraão à queda de Jerusalém obra completa. 9. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

PFEIFFER; Charles F.; HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody: os evangelhos e atos. São Paulo: IBR, 1997. v. 4

______; VOS, Howard F.; REA, John. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Atos: Novo Testamento. Belo Horizonte: Atos, 2004.

VINE, W. E.; UNGER, Merril F.; WHITE JR, William. Dicionário Vine. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

WILLIAMS, David J. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo: Atos. São Paulo: Vida, 1996.

Eles falaram outras linguas?



Por Altair Germano

Nesta segunda parte do subsídio para a Lição 3, estarei dando ênfase ao "Batismo no Espírito Santo na História da Igreja".

Quando falamos de história, vale lembrar que ao narrar os fatos, precisamos buscar o máximo possível de fidelidade às narrativas e documentos, e o máximo de neutralidade ideológica ou teológica.

Embora a história emocione, ela não pode ser escrita sobre o fundamento da emoção ou da paixão. A narrativa e o fato histórico precisam ser provados por testemunha ocular, documental ou material.

Dessa forma, vamos aos fatos.

O BATISMO COM (NO) ESPÍRITO SANTO ENTRE OS MONTANISTAS

O montanismo foi um movimento religioso que data do século II. Recebe esta designação em razão do ser fundador se chamar Montano, um sacerdote pagão da região da Ásia Menor chamada Frígia que se converteu ao cristianismo.

Eusébio de Cesaréia (263-340 d.C.), em sua "História Eclesiástica" (2003, p. 182), narra os fatos acerca de Montano e seu movimento da seguinte maneira:

"Diz-se haver certa vila da Mísia na Frígia, chamada Ardaba. Ali, dizem, um dos conversos recentes de nome Montano, quando Crato era procônsul na Ásia, tendo na alma excessivo desejo de assumir a liderança, dando ao adversário ocasião para atacá-lo. De modo que foi arrebatado no espírito, sendo levado a certo tipo de frenesi e êxtase irregular, delirando, falando e pronunciando coisas estranhas, e proclamando que era contrário às instituições que prevaleciam na Igreja, conforme transmitidas e mantidas em sucessão desde os primórdios. Mas quanto aos que aconteceu estarem presentes e ouvir esses oráculos espúrios, ficaram alguns indignados, censurando-o por estar sob a influência de demônios e do espírito de engano e por estar apenas incitando distúrbios entre a multidão."

Apesar da importância histórica do relato acima, vale salientar que Eusébio seguiu as ideias teológicas de Orígenes, foi provavelmente bispo de Cesaréia, simpatizou com o arianismo, mas coagido por Constantino, veio a aceitar a ortodoxia do Credo Niceno (Idem, p. 12). Sendo assim, já envolvido com a institucionalização e romanização do cristianismo, é possível perceber a força de suas palavras contra Montano. A frase "falando e pronunciando coisas estranhas", sugere a ideia do falar em línguas.

Sobre Montano, Olson (2001, p. 30) nos narra que ele reuniu um grupo de seguidores, construindo em Papuza uma comunidade. Duas mulheres, Priscila e Maximila, se uniram a ele para profetizar, alertando para o breve retorno de Cristo, e condenando os bispos e líderes como desprovidos de vida, corruptos e apóstatas. Montano e as duas profetisas, quando entravam em transe espiritual, falavam na primeira pessoa como se Deus, o Espírito Santo, falasse diretamente através deles.

Cairns (1988, p. 82-83) entende que na tentativa de combater o formalismo e a organização humana, e de reafirmar as doutrinas do Espírito Santo, Montano caiu no extremo oposto, concebendo fanáticas e equivocadas interpretações da Bíblia. O aspecto positivo do movimento foi que:

"O montanismo representou o protesto perene suscitado dentro da Igreja quando se aumenta a força da instituição e se diminui a dependência do Espírito de Deus. Infelizmente, estes movimentos geralmente se afastam da Bíblia, entusiasmados que ficam pela reforma que desejam. O movimento montanista foi e é aviso que a Igreja não esqueça que a organização e a doutrina não podem ser separadas da satisfação do lado emocional da natureza do homem e do anseio humano por um contato espiritual imediato com Deus."

Escrevendo sobre os acontecimentos, Sherrill (2005, p. 102), enfatizando a sua perspectiva pentecostal, diz que o movimento foi prejudicado pelo aumento das línguas e de outros fenômenos carismáticos.

Olson (Idem, p. 31) e diz que a reação contra os abusos e excessos de Montanos e seus seguidores, a liderança da igreja procurou se apoiar cada vez menos em manifestações verbais sobrenaturais, como línguas, profecias e outros dons, sinais e milagres sobrenaturais do Espírito. As manifestações carismáticas, sendo agora identificadas com Montano, quase se extinguiram no decorrer da história.

Para Synan (2009, p. 34) e Olson (Ibidem), o principal motivo da rejeição do movimento não foi a presença dos dons, mas a afirmação de Montano de que as declarações proféticas estavam no mesmo nível de autoridade com as Escrituras.

A Igreja reagiu a estas extravagância, condenando o movimento no Concílio de Constantinopla, em 381, declarando que os montanistas deviam ser olhados como pagãos. Tertualino, um dos grandes Pais da Igreja, tornou-se montanista (CAIRNS, idem). Sherrill (Idem) afirma que Irineu também aderiu ao movimento.

Com o montanismo, temos a primeira tentativa histórica do resgate do batismo com (no) Espírito Santo, da manifestação de línguas, profecias e dos demais dons extraordinários do Espírito.

O BATISMO COM (NO) ESPÍRITO SANTO E AS CONTRADIÇÕES DAS NARRATIVAS HISTÓRICAS

Na tentativa de desacreditar a continuidade do batismo com (no) Espírito Santo (cessacionismo), ou de buscar a evidência do mesmo ao longo da história, os relatos acabam divergindo entre si.

Iniciaremos comentando o seguinte trecho da Lição 3 (Ponto III, p. 23 da lição para mestre):

"Eis o testemunho de Agostinho (354-430): 'Nós faremos o que os apóstolos fizeram quando impuseram as mãos sobre os samaritanos, pedindo que o Espírito Santo caísse sobre eles: esperamos que os convertidos falem novas línguas'. Poderíamos citar outros testemunhos. Mas falta-nos espaço. O que diremos de Lutero? Wesley? Finney?"

Todos os personagens acima foram citados por Andrade (2004, p. 104-105), em sua obra "Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento". Analisemos cada caso:

Agostinho de Hipona (354 - 430)

A citação acima sobre Agostinho foi publicada originalmente no Brasil em 1969, na obra de John L. Sherrill, intitulada "Eles Falam em Outras Línguas" (SHERRILL, idem).

Na revista "Manual do Obreiro" do 1º trimestre/2011, no artigo "Manifestações do Espírito Santo na História", o pastor Isael de Araújo faz a mesma citação. O fato, é que tanto na obra de Sherrill, quanto na de Andrade e no artigo de Araújo, não encontramos a informação da literatura ou documento (fonte primária ou secundária) em que eles se basearam.

Opondo-se ao fato de Agostinho ter sido batizado com (no) Espírito Santo, ou de ter ensinado sobre isto, Synan (Idem, p. 34 apud LEWIS, Witnesses to the Holy Spirit. Valley Forge: Judson Press, 1978, p. 121) credita a Agostinho a declaração abaixo:

"Nos primeiros dias da Igreja, o Espírito Santo desceu sobre os crentes, e eles falaram em línguas que não haviam aprendido, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. Isso se constituiu um sinal para aquele tempo: todas as línguas do mundo eram importantes para o Espírito Santo, porque o evangelho de Deus teria seu curso por meio de cada idioma, em todos os lugares da terra. O sinal foi dado e então expirou. Não devemos mais alimentar a expectativa de que quem receba a imposição de mãos deva receber o Espírito Santo e falar em línguas. Nas vezes em que impomos as mãos sobre aquelas 'crianças', os recém-nascidos membros da Igreja, nenhum de vocês (penso eu) ficou observando para ver se eles falavam em línguas ou, percebendo que não falaram, foi cruel o bastante para argumentar que eles não haviam recebido o Espírito Santo, pois se o tivessem recebido teriam falado em línguas, como acontecia no início."

Uma outra declaração de Agostinho é citada por Synam (Ibidem):

"Por que, pergunto, não ocorrem mais milagres em nossos dias, como acontecia nos tempos antigos? Respondo que eles eram necessários na época, antes que o mundo viesse a crer, para que o mundo fosse convencido."

House (2006, p. 69) afirma que "É interessante ver que, dentre as muitas evidências de que uma pessoa tem o habitar do Espírito Santo, Agostinho se contenta em referir-se a apenas uma, e esta é o amor".

Na Wikipédia, em seu artigo sobre a "grossolalia religiosa" (o fenômeno de falar em línguas), a posição cessacionista de Agostinho é reafirmada:

"Bispo de Hipona e Doutor da Igreja, Santo Agostinho, em sua homilia sobre o Evangelho de João 1,6-10, ensina que o Dom de Línguas foi necessário somente no início da pregação do Evangelho, quando era necessário espalhar a Boa Nova para todo o mundo. Depois disso, estando a Igreja espalhada por toda parte, esse dom cessou." (Santo Agostinho - Homilias em 1 João 6-10; NPNF2, v. 7, pp. 497–498.)

Uma posição conciliadora sobre a questão de que Agostinho ter sido um defensor da atualidade do Batismo com (no) Espírito Santo ou um cessacionista, encontramos no site www.portalevangélico.pt., no artigo "História do Movimento Pentecostal", de 31/07/2006, que diz o seguinte:

"Agostinho tinha a expectativa de que o que era comum até ao terceiro século continuaria a acontecer no quarto. Porém, quando escreve Cidade de Deus anos depois, já no quinto século, no ocaso do seu ministério, ele transparece não acreditar mais na contemporaneidade de todos os dons espirituais."

Agostinho é um caso clássico de contradições, ao se buscar evidências na história para a sustentação de uma tese.

Martinho Lutero (1483-1546)

A informaçã de que Lutero foi um defensor da atualidade do Batismo com (no) Espírito Santo com a evidência do falar em línguas, aparece na obra de Orlando Boyer, "Heróis da Fé":

"
Encontra-se o seguinte na História da Igreja Cristã, por Souer, Vol. 3, pág. 406:' Martinho Lutero profetizava, evangelizava, falava línguas e interpretava; revestido de todos os dons do Espírito."

Boyer foi citado também por Andrade (Idem, p. 105):

"Com a Reforma Protestante, testemunhar-se-ia o advento de um gigante espiritual que haveria de abalar irresistivelmente os alicerces da civilização. Foi este titã um autêntico pentecostal. Segundo o historiador Sour (sic), Martinho Lutero falava línguas, interpretava-as, profetizava e achava-se revestido de todos os dons do Espírito Santo."

Afirma-se que Souer viveu no século XIX, mais de 300 anos após Lutero. A sua obra parece conter a única afirmação registrada sobre a possibilidade de Lutero ter falado em línguas.

Temos aqui mais um problema de discordância em termos de relato histórico. Observe abaixo, o que Lewis escreveu (Idem p. 173, apud SYNAN, idem, p. 173) escreveu sobre Lutero (ex-monge agostiniano):

"Seguindo a linha de Agostinho e Crisóstomo, Lutero respondeu com a seguinte opinião acerca dos sinais, maravilhas e dons do Espírito Santo: O Espírito Santo foi enviado de duas maneiras. Na igreja primitiva, foi enviado de forma visível, manifesta. Assim ele veio sobre Cristo no rio Jordão, na forma de pomba (Mateus 3.16), e sobre os apóstolos e outros crentes, na forma de língua de fogo (Atos 2.3). Essa foi a primeira vinda do Espírito Santo; ela era necessária na igreja primitiva, a qual precisava ser estabelecida por meio de sinais visíveis, para convencer os descrentes, como Paulo testifica em 1 Coríntios 14.22: 'As línguas são um sinal para os descrentes, e não para os que creem'. Mais tarde, estando já a Igreja estabelecida e confirmada por aqueles sinais, a descida visível do Espírito Santo para continuar a obra não era mais necessária."

House (Idem, p. 84), cessacionista declarado, escreve:

"E Matinho Lutero? Longe de apoiar as ideias dos carismáticos dos seus dias, Lutero era ferozmente oposto a elas. Durante a ausência de Lutero no Castelo de Warteberg, os carismáticos assumiram a liderança em Wittenberg. Foi somente a pregação de Lutero que trouxe a sanidade de volta a Wittenberg, salvando a Reforma de um espírito de fanatismo e desintegração".

No caso de Lutero, duas coisas precisam ser consideradas, para que se chegue a uma conclusão sobre a sua posição acerca da atualidade do Batismo com (no) Espírito Santo:

- O que o próprio Lutero escreveu sobre isso? Alguns afirmam que nada.
- Por que com a Reforma não temos o resgate das crenças e das experiências pentecostais norteando ou presente claramente no movimento? Seria pela urgência em combater os abusos doutrinários e eclesiológicos do catolicismo romano? Seria realmente pela posição cessacionista de Lutero?

John Wesley (1703-1791)
O nome de Wesley é o terceiro citado na lição bíblica, também cercado de controvérsias.

Em seu livro "Batismo no Espírito Santo" (2000, p. 38), o pastor Enéas Tognini, líder do movimento de renovação nas igrejas batistas no Brasil, fala sobre Wesley: "João Wesley converteu-se a Cristo e, depois de mais ou menos dois anos após a sua conversão, foi batizado no Espírito Santo [...]".
Na obra "Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento" (Ibidem, p. 105), publicada pela CPAD e aprovada pelo Conselho de Doutrina da CGADB, o pastor Claudionor de Andrade escreve:

"No século 18, temos a destacar os irmãos Wesley e o príncipe dos pregadores ao ar livre, George Withefield. De conformidade com um relato fidedigno da época, foram os três de tal maneira visitados pelo Senhor que, certa vez, rolaram pelo chão, tamanho era o poder e a graça experimentados".

Nesta citação de Andrade, não fica claro de qual "relato fidedigno" se trata, nem se houve batismo com (no) Espírito Santo com a evidência de falar em línguas.

A questão sobre Wesley e o Batismo com (no) Espírito Santo se agrava, quando analisada à luz da obra "Teologia de John Wesley", escrita por Kenneth J. Collins, publicada pela CPAD (2010, p. 177-178), igualmente aprovada pelo Conselho de Doutrina da CGADB:

"Wesley e os metodistas, ao longo de boa parte do século XVIII, foram acusados de valorizar demais os dons, ou carismas, do Espírito Santo. Apresentando uma diferenciação entre dons extraordinários (como de cura, de operar milagres, de profetizar, de discernir espíritos e de falar e interpretar em línguas) e os comuns (de discurso convincente, de persuasão, de conhecimento, de fé e da facilidade para oratória), alega em uma carta para o Sr. Downes, pároco da Igreja St. Michael, que "repudia totalmente os 'dons extraordinários do Espírito' e todas as outras 'influências e operações do Espírito Santo' que não sejam aqueles comuns a todos os verdadeiros cristãos. Na verdade, o próprio Wesley, à parte de seus detratores, afirma o mérito de fazer essa distinção para que a igreja 'pudesse parar o crescimento do entusiasmo', o que hoje chamamos de fanatismo. Na percepção de Wesley, os dons extraordinários foram concedidos à Igreja Primitiva para que, por meio deles, 'Deus reconhecesse os cristãos como seu povo, e não judeus'. Ou seja, Wesley argumenta que as 'exigências da ea apostólica', demonstrando que o caminho da salvação flui apenas por intermédio de Jesus Cristo, 'requeriam os dons milagrosos, mas eles logo cessaram'.

O texto acima foi publicado originalmente na obra de Thomas Jackson, "The Works of. Rev. John Wesley", escrita entre 1829-1831, e publicada em Londres, em 1978, pela Weslyan Methodist Book Room.
Charles Finney (1792-1875)

O nome de Charles Finney é citado como alguém que vivenciou a experiência de Pentecoste por Andrade (Ibidem, p. 105) e Tognini (Ibidem, p. 38).

Um artigo no site da Igreja de Nova Vida, retirado do Jornal Tombeta de Sião, e intitulado "O Protestantismo e a Doutrina Pentecostal", confirma a declaração de que Finney, conforme escrevera em uma autobiografia, foi batizado com (no) Espírito Santo:

"Recebi um grande batismo no Espírito Santo [...] não sei se deveria dizer, mas não pude me conter e balbuciava palavras inexpressivas do meu coração [...]".

Discorrendo ainda sobre a evidência da manifestação de línguas na vida de Finney, o articulista cita James Gilchrist Lawson (1874-1946), que em seu livro "Profundas Experiências de Cristãos Famosos", escreveu :

"Em algumas ocasiões o poder de Deus se manifestava em tal grau nas reuniões de Finney, que quase todos presentes caíam de joelhos em oração, ou melhor, oravam com lamentos e queixumes inenarráveis pelo derramamento do Espírito de Deus".

Até onde cheguei em minhas pesquisas sobre Finney, não encontrei oposição quanto aos fatos acima narrados.
George Withefield (1714-1770)
Em se tratando de Withefield e o Batismo com (no) Espírito Santo, temos mais uma vez problemas.

Andrade (Ibidem) e Tognini (Ibidem), afirmam positivamente sobre as evidências do Batismo com (no) Espírito Espírito Santo em sua vida. Erroll House (Ibidem, p. 83) não concorda com este ponto de vista, e afirma:

"Muitos viram retratadas nas vidas de grandes pregadores sua noção favorita do batismo do Espírito. Sei de tais defensores que procuram fazer isto com George Whitefield. O Dr. Arnold Dallimore, que é responsável pela mais proeminente biografia de Whitefield, publicada em dois grandes volumes pela editora Banner of Truth, declara que tal afirmação não pode ser substanciada no caso de Whitefield. Ele é corretamente visto como o mais poderoso pregador da língua inglesa, até hoje; e ainda assim, ele se opôs fortemente à ideia de dois estágios de experiência cristã. [...] Que cada crente recebia 'o selo do Espírito' foi um elemento essencial da doutrina de Whitefield e ele nunca defendeu o ensino pentecostal como é conhecido hoje".

É bom lembrar, que as contradições das narrativas aqui citadas, em nada diminui a verdade sobre a atualidade do Batismo com (no) Espírito Santo com a evidência do falar em línguas.

Poderia avançar nesta abordagem histórica, o que farei quando da publicação destes textos em um futuro livro.

Para o blog, fico por aqui, entendendo que o levantamento destas questões deverão promover uma maior pesquisa sobre os fatos aqui descritos, além de proporcionar a oportunidade de outros cooperarem com informações que por um acaso não foram aqui colocadas, visto a limitação da bibliografia pesquisada por este autor.

Farei qualquer correção neste texto, caso as informações aqui expostas sejam convincentemente e cientificamente refutadas com as necessárias provas.


Livros Consultados

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Fundamentos bíblicos de um autêntico avivamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

BOYER, Orlando S. Heróis da Fé. 15. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos: Uma história da igreja cristã. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, 1988.

CESARÉIA, Eusébio de. História Eclesiástica: os primeiros quatro séculos da igreja cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

COLLINS, Kenneth J. Teologia de John Wesley. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

HULSE, Erroll. O Batismo do Espírito Santo. São José dos Campos-SP: Fiel, 2006.

OLSON, Roger. História da Teologia Cristã: 2000 anos de tradição e reformas. São Paulo: Vida, 2001.

SHERRILL, John L. Eles falam em outras línguas. São Paulo: Arte Editorial, 2005.

SYNAN, Vinson. O século do Espírito Santo: 100 anos de avivamento pentecostal e carismático. São Paulo: Vida, 2009.

TOGNINI, Enéas. Batismo no Espírito Santo. São Paulo: Bompastor, 2000.

Periódicos Consultados

Lições Bíblícas. Atos dos Apóstolos: até aos confins da terra. Rio de Janeiro: CPAD, 1º trimestre/2011.

Manual do Obreiro. Atos dos Apóstolos: A ação do Espírito Santo na Igreja e através da Igreja. Rio de Janeiro: CPAD, ano 34, nº 52, 1º trimestre/2011.

Sites Consultados

Glossolalia religiosa. Disponível em http://pt.wikipedia.org, acessado em 28/12/2010.

James Gilchrist Lawson. Deeper experiences of famous christian. Disponível em http://www.archive.org, acessado em 28/12/2010.

Lutero profetizava e falava em línguas. Disponível em http://www.lideranca.org, acessado em 28/12/2010.

O protestantismo e a doutrina pentecostal. Disponível em http://www.invsc.org.br, acessado em 28/12/2010.