quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Afinal, Deus ama ou odeia o pecador?


Por Gutierres Fernandes Siqueira

Se você é arminiano responderá que Deus ama o pecador, mas aborrece o pecado. Se você um calvinista - daquele tipo militante e chato - certamente responderá com baba na boca que Deus odeia os pecadores, assim como o próprio pecado. Bom, afinal de contas, Deus ama ou odeia os pecadores? Devo responder essa questão biblicamente como arminiano ou calvinista? A resposta é: as duas coisas, pois Deus tanto ama como odeia o pecador.

Reconheço que é dura a tarefa de explicar algo tão complexo em um post breve.  Ainda posso, com toda razão, ser acusado de escrever um artigo superficial e simplista. Bom, sei das minhas limitações, mas ainda assim grave essa frase com a chave do texto: Deus ama e odeia o pecador.   

A primeira objeção a minha argumentação é de natureza lógica. Ora, se eu amo não odeio, mas se odeio eu não amo, assim como praia é praia e campo é campo. Agora, quem disse que o pensamento bíblico é restrito à razão? Adoramos um Deus que é três em um; celebramos o Cristo que é plenamente homem e plenamente Deus; louvamos o Deus infinito que encarnou como bebê; sabemos que Deus é completamente Soberano, mas ainda assim concedeu liberdade ao homem. É possível explicar qualquer uma dessas verdades cristãs pela lógica elementar? É claro que não. Da mesma forma, é possível afirmar que o Senhor ama e odeia um pecador.

O teólogo Luiz Sayão argumenta:

Uma das razões pelas quais criamos uma teologia limitada assim é a nossa herança racionalista. Os antigos hebreus e cristãos sabiam que a realidade era muito mais complexa do que a nossa razão. Além disso, entendiam que certas dimensões da fé aparentemente distintas não eram necessariamente contraditórias. O problema é que quando nossa teologia se “helenizou” exageradamente, adotamos uma logicamente simplista que nos trouxe diversos problemas. [1]

Deus é um Ser pleno. Ele é plenamente amor, mas plenamente justo. Ora, o Seu amor não é maior que a Sua justiça, assim como a Sua justiça não é maior que o Seu amor. A cruz, por exemplo, é um gesto de justiça ou de amor? Como diz poeticamente o hino Grata Nova:Mostra ao triste pecador, que na cruz estão unidos a justiça e o amor” [2]. Por que uma virtude não se sobressai sobre a outra? Ora, pelo simples fato que em Deus nada é incompleto. É por isso que não é possível acreditar em um céu sem inferno. No juízo sem a misericórdia. Na salvação sem a perdição. “Portanto, considere a bondade e a severidade de Deus” [Rm 11.22].

Por que Deus odeia o pecador? O pecado não é um estrangeiro na vida do homem. Somos pecadores por natureza, ou seja, temos integralmente o pecado em nossas vidas. É o que Paulo chama de “carne” [ex: Rm 8.8]. É uma natureza inseparável mesmo no homem regenerado. Logo, Deus que é santíssimo não pode aceitar o nosso pecado, pois a transgressão é parte nossa. Poderia citar inúmeros textos, mas vamos ficar com Malaquias 2.16: “‘Eu odeio o divórcio’, diz o Senhor, o Deus de Israel, e ‘o homem que se cobre de violência como se cobre de roupas’, diz o Senhor dos Exércitos. Por isso tenham bom senso; não sejam infiéis [NVI]”. Veja que Deus odeia o pecado (“divórcio”, nesse caso) e o pecador (“o homem que se cobre de violência”).

Por que, também, Deus ama o pecador? Ora, esse é o grande tema das Escrituras. Quem nunca leu João 3.16? Sim, maravilhosamente Deus nos ama ainda como pecadores. É uma pena que calvinistas insistam tanto que “mundo” desse texto seja “eleitos”. Mesmo o teólogo reformado D. A. Carson, grande exegeta, discorda desse posição:

Eu sei que alguns calvinistas tentam tomar o grego kosmos (“mundo”) aqui para se referir aos que eles chama de eleitos. Mas isto realmente não servirá. Todas as evidencias do uso da palavra do Evangelho de João são contrárias a esta sugestão. Para dizer a verdade, mundo em João não se refere tanto a grandeza como a maldade. No vocabulário de João, mundo é primeiramente a ordem moral em rebelião intencional e culpável contra Deus. Em João 3.16 o amor de Deus ao enviar o Senhor Jesus deve ser admirado, não porque seja estendido a algo tão grande quanto o mundo, mas a algo tão mau; não a tantas pessoas, mas a pessoas tão impiedosas. [...] Neste eixo, o amor de Deus pelo mundo não pode ser reduzido ao seu amor pelos chamados eleitos. [3]

Sim, é Deus quem ama e odeia ao mesmo tempo. Como entender? Ora, difícil, pois é o Senhor da misericórdia e da ira, do amor e da justiça, da paciência e do juízo. O mesmo Jesus que proclamou “bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus” [Mt 5.9] foi o mesmo Jesus que disse: “Vocês pensam que vim trazer paz à terra? Não, eu lhes digo. Pelo contrário, vim trazer divisão!” [Lucas 12.51]. Esse é o nosso Deus. Um Deus não irracional, mas além da razão. Louvador seja Deus! Glorificado seja o SENHOR!!

Notas e Referências Bibliográficas:

[1] SAYÃO, Luiz Alberto. Agora Sim! Teologia na Prático do Começo ao Fim. 1 ed. São Paulo: Voxlitteris, 2012. p 16.

[2] Música de número 18 da Harpa Cristã (CPAD).

[3] CARSON, Donald. Arthur. A Difícil Doutrina do Amor de Deus. 1 ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2007. p 17, 18. Leia também: CARSON, D. A. O Comentário de João. 1 ed. São Paulo: Shedd Publicações, 2007. pp 205-207. O famoso puritano J. C. Ryle, também, defendia a interpretação de mundo como “humanidade” e não como “eleitos”. Veja em: RYLE, J. C. Meditações no Evangelho de João. 1 ed. São José dos Campos: Editora Fiel, 2000. p 35.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Algo Mais

A vida de um homem mudou a história do mundo para bilhões de pessoas no mundo todo. Ele é tanto reverenciado como caluniado, tão famoso quanto temido; e pode-se saber quem ele é sem nem sequer se mencionar seu nome.


 

Fonte: www.movingworks.org/ via teologia pentecostal

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Martin Smith lança novo EP God's Great Dance Floor - Movement Four



1. God's Great Dancefloor
2. Only Got Eyes For You
3. Keep The Faith
4. Angel (Song For Anna) 


Ouça aqui 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Pastor come bíblia e causa polêmica


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Via: http://www.pulpitocristao.com/

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Rend Collective Experiment - Vale a pena ouvir



Uma banda do norte da Irlanda chamada Rend Collective Experiment lançou um album experimental em torno da fogueira como música 10,000 Razões, Gravado em uma praia em Ballyholme a banda explica que faz parte de sua jornada espiritual e usar o local como forma de volta a sua raízes na Irlanda.

Também em seu site fornece recursos gratuitos como um pacote de Recursos para culto na fogueira.

Ouça aqui 



Fonte:http://www.louderthanthemusic.com/index.php

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Jenny Simmons - Don't Lose Heart #Download


Liberado para download "Don't Lose Heart" de Jenny Simmons 

Baixe aqui

Fonte:Hear It First

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Pregadores ou profissionais de púlpito?




Por Geremias do Couto

Nada tenho contra eventos e a participação de pregadores convidados, embora continue a crer que tornar essa prática uma rotina na igreja local pode gerar todo tipo de consequências, entre elas a falta de substância, a perda de identidade, alem de uma exposição bíblica acidentada e fragmentada, em virtude das diferentes visões daqueles que vêm de fora. Tal fato se agrava quando ditos pregadores são profissionais de púlpito, portadores de um número limitado de mensagens - aquelas que mais agradam ao auditório - e por isso mesmo passam a pregar no "piloto automático", ou seja, de forma mecânica, com uma "graça" que não é graça, apelando a todos os chavões para movimentar a plateia. Com as exceções de praxe, sei que isso muitas vezes acontece por faltar na igreja local quem exponha de forma consistente a Palavra de Deus. Mas não deveria ser assim.

Este é o ponto que gostaria de focar nesta postagem.

Entendo que pregar é uma tarefa que nos impõe enorme responsabilidade. Não é simplesmente cumprir mais uma agenda, fazer uma exposição verborrágica e partir para o próximo compromisso. Não é massagear o ego dos ouvintes, enquanto os nossos bolsos são massageados com polpudos cachês. Não é contar um monte de histórias, a maioria delas inverossímeis, enquanto o nosso histórico é mais capenga do que carro dos anos 60 sem manutenção. Não é um exercício de oratória com o propósito de mostrar as nossas habilidades retóricas, que não passam de esqueletos sem carne e sem vida.

Afinal, o que é pregar?

Pregar significa, antes de tudo, comprometimento com Deus de tal maneira que nossa comunhão com ele seja como o nosso fôlego: se nos faltar, morremos. Isso implica em vida de oração, na qual a ênfase não é para o monólogo, onde falamos sozinhos, mas para o diálogo, onde a nossa intenção é ouvir mais e falar menos, mas dialogar com aquele que muitas vezes usa as janelas mais simples da vida para nos ensinar preciosas lições. Pregar implica, também, em ter prazer na leitura da Escritura. Não lê-la simplesmente com intuito acadêmico, mas com a finalidade de metabolizá-la e torná-la parte indissociável de nossas vidas. É saboreá-la assim como se saboreia a comida mais prazerosa que nos é oferecida. É cumprirmos um "rito" que se assemelha ao que usamos quando estamos diante de uma boa refeição. É degustar, enquanto comemos.

Afinal, o que é pregar?

Pregar significa deixar que a mensagem fale primeiro ao nosso coração antes de entregá-la ao povo. Não é um processo da noite para o dia. É laborioso, leva tempo, exige reflexão, meditação, assimilação e compreensão. Requer ousadia para permitir que ela - a mensagem - nos corrija e nos leve a um patamar de piedade em que somos expurgados de nossos pecados, o nosso "eu" é subjugado e o "eu" de Cristo predomine em plenitude. Enquanto a mensagem for algo pensado apenas para os ouvintes, terá menos valor até porque ela poderá produzir os seus efeitos, mas ficaremos de fora por não os experimentarmos nós mesmos. Precisamos pensá-la, antes, sobre de que forma ela se aplica em nós, quais os resultados  produzirá em nosso coração. Em uma frase: o pregador prega primeiro para si mesmo. Se não for assim, é melhor deixar de pregar.

Afinal, o que é pregar?

Pregar é expor todo o conselho de Deus sem se preocupar se o povo aceitará ou não a mensagem. É obvio que pregamos com o propósito de edificar os ouvintes, mas pode ser que, no primeiro momento, essa edificação não seja aceita de bom grado por expor as vísceras pecaminosas de cada um, por configurar uma forma de retirar os carrapichos das ovelhas. Pode ser um momento sofrido, de dor, extremamente desconfortável, que, na hora, poderá causa rejeição, mas depois a alegria virá multiplicada pelos efeitos que produziu. Com isso, não advogo a estupidez, o uso da franqueza para justificar a grosseria, mas a fidelidade à mensagem que precisa ser transmitida.

Afinal, o que é pregar?

Pregar não é agir como camaleão, que muda de cor de acordo com as circunstâncias. Se o ambiente é conservador, a mensagem é conservadora. Se, por outro lado, o ambiente é liberal, a mensagem é flexibilizada. Entendo que, de acordo com o lugar, temos de usar linguagem adequada com a finalidade de tornar compreensível a mensagem para o auditório ao qual pregamos. Não ponho também em dúvida a necessidade de contextualizá-la ao meio, que é extrair de um texto escrito há milhares de anos a mensagem que se aplica à realidade atual. Refiro-me, de fato, àqueles que mudam o teor, alteram o conteúdo, aliviam os conceitos ou fazem tudo ao inverso só porque querem ficar "bem na fita" no ambiente em que estão. Para esses não há outra maneira de qualificá-los: são simplesmente profissionais de púlpito.

Temos de pregar a tempo e fora de tempo. Mas precisamos estar dispostos a sermos apenas ferramentas nas mãos de Deus. Não somos "showman". Não somos a pessoa para a qual os olhos dos ouvintes devem estar voltados. Não somos produtores de espetáculo. A mensagem não é nossa. Somos apenas o meio para que a glória seja sempre de Deus.

Fonte:http://www.geremiasdocouto.blogspot.com/2013/01/pregadores-ou-profissionais-de-pulpito.html#

Caminho Estreito - Primeiro RPG cristão para computador

Lançado há algumas semanas, o primeiro game de RPG cristão para computadores ultrapassa a marca de 10 mil downloads. Intitulado de “Caminho Estreito” o jogo está disponível gratuitamente no site Internautas Cristãos, tendo como público alvo os jogadores de RPG que sentiam falta desse tipo de entretenimento.

SINOPSE

O game conta a história do jovem Cristão (inicialmente chamado Desesperado) que mora na Cidade da Condenação, mas foge de lá com medo das tropas da Lei, que querem entregá-lo ao tribunal da Ira do Todo-Poderoso.
Ele ouve falar de um local conhecido como Reino das Bem-Aventuranças, governado pelo Príncipe da Paz, o qual recebe pecadores. Então parte em viagem, mas encontra muitos desafios pela frente. Os emissários do Senhor das Sombras o espreitam a cada instante do caminho buscando uma forma de desencaminhá-lo ou fazê-lo desistir.
Armado com a Palavra de Deus e o escudo da fé, embarque nessa aventura incrível rumo à Cidade da Eterna Liberdade. Enfrente os argumentos de religiosos, místicos, descrentes e pluralistas, que farão de tudo para enganá-lo e tentar convencê-lo a abandonar a jornada. Prepare-se também para sofrer forte oposição de demônios, monstros, ladrões e do próprio Diabo.
"E sereis odiados por todos por amor do meu nome; mas quem perseverar até ao fim, esse será salvo."
Marcos 13:13
À pé, a cavalo, ou de barco, atravesse mares, florestas, desertos e campinas. No caminho, demonstre sua fé ajudando órfãos e viúvas em dificuldade, teste seu conhecimento bíblico, resista às tentações e anuncie oEvangelho às pessoas que encontrar.

caminho-estreito-1

caminho-estreito-2



Versão 7.0 / Tamanho: 40 MB

BAIXAR CAMINHO ESTREITO

Link Alternativo (use se o link acima estiver fora do ar):

LINK ALTERNATIVO

Obs: Possui o Segundo jogo que pode ser baixado aqui também 
Fonte: http://www.internautascristaos.com.br/caminho-estreito

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

The Antherm - Planetshakers #Download




The Anthem

Joth Hunt, Henry Seeley and Liz Webber

By His stripes we are healed
By His nail pierced hands we’re free
By His blood we’re washed clean
Now we have the victory

Pre Chorus:
The power of sin is broken
Jesus overcame it all
He has won our freedom
Jesus has won it all

Chorus:
Hallelujah
You have won the victory
Hallelujah
You have won it all for me
Death could not hold You down
You are the risen King
Seated in majesty
You are the risen King

Bridge:
Our God has risen
He is alive
He won the victory
He reigns on high
© 2007, 2013 Planetshakers Ministries Int’l (adm by Integrity Music via EMICMGPublishing.com)


Baixe aqui

Obs: Talvez seja necessário cadastro

Fonte e Distrubuição: http://kingswayworship.co.uk/

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Hernandes Dias Lopes - "A alegria do cristão não é um sentimento, é uma pessoa: JESUS!"


vinacc on livestream.com. Broadcast Live Free


HERNANDES DIAS LOPES:
Na noite desta quarta (06), foi realizada a cerimônia de abertura do 15º Encontro para a Consciência Cristã, na Representação do Tabernáculo Bíblico, no Parque do Povo, em Campina Grande. O culto não marcou apenas o início da edição de 15 anos do evento, mas também a décima participação do Rev. Hernandes Dias Lopes, da Igreja Presbiteriana de Vitória, que recebeu uma homenagem por seu apoio ao Encontro. Ele foi o responsável pela ministração da Palavra.
A mensagem do ministro capixaba foi baseada no texto de Filipenses 4, no qual o apóstolo Paulo orienta os cristãos em Filipos a se alegrarem no Senhor, em todo o tempo. "Alegrai-vos no Senhor. Outra vez digo: alegrai-vos!" é a ordenança de Paulo à Igreja, enquanto o apóstolo escrevia de dentro da prisão. A situação vivida por Paulo é uma demonstração de que a alegria do crente vai além das circunstãncias. "A alegria do cristão é imperativa e ultracircunstancial. Não é um sentimento, é uma pessoa: JESUS!", afirmou Hernandes. Entretanto, o pastor destacou, em sua pregação, que muitos cristãos têm tido a sua alegria roubada, por alguns fatores. Lopes afirmou que um desses "ladrões" são as circunstâncias adversas da vida, a que todos estamos sujeitos. Apesar disso, os servos de Deus não se preocupam com essas coisas, pois sabem que Deus controla a sua vida. "Quem olha para a vida como sendo resultado da providência e da permissão de Deus não fica à mercê da tristeza que pode vir de circunstâncias adversas da vida. Aquele que serve a Deus sabe que, na verdade, as adversidades são parte do propósito de Deus, para a Sua glorificação", disse o pastor.
Hernandes ainda enumerou mais três fatores que podem roubar a alegria do cristão. O primeiro deles são as próprias pessoas, que podem nos decepcionar. Por isso, o pastor apontou o perdão como elemento fundamental da vida do crente. "Precisamos perdoar para não nos enchermos de mágoa. Mágoa é a mesma coisa que tomar um copo de veneno, pensando que a outra pessoa vai morrer! O perdão, entretanto, cura - e quem deseja viver com alegria deve perdoar. Perdoar é lembrar sem sentir dor", disse Lopes. Outra causa da possível tristeza do cristão é a preocupação com o dinheiro - algo que pode retirar totalmente a paz de alguém. "Devemos ter cuidado, porque o dinheiro, na verdade, é um deus. Muitas vezes, deixamos de estar com nossas famílias, nossos irmãos na fé e até mesmo com Deus para ajuntar mais tesouros nessa terra - quando o Senhor nos orientou a ajuntar tesouros no Céu." Por fim, Hernandes citou a ansiedade como inimigo da tranquilidade do cristão. O pastor afirmou que a ansiedade, na verdade, é um fardo desnecessário. "Preocupação e ansiedade é ocupar-se com problemas que nem aconteceram e, possivelmente, nunca vão acontecer. "A ansiedade nos sufoca, nos estrangula. Além disso, a ansiedade é completamente inútil e é sinal de incredulidade." O pastor pesbiteriano concluiu a mensagem relembrando que a nossa alegria independe das circunstâncias, e que independe das coisas terrenas. "Citando os puritanos do século XVII, nós fomos feitos para adorar a Deus e gozá-lo para sempre!"
A 15ª Consciência Cristã dará continuidade à sua programação amanhã, dia 07. Pela manhã e à tarde, será realizado o Fórum Apolo, no Templo da Igreja Metodista Central, no Alto Branco. À noite, a partir das 19h30min, o culto terá as participações musicais de Victorino Silva e da Orquestra Átrios de Louvor. O pregador da noite será o Pr. Geremias Couto, da Assembleia de Deus do Rio de Janeiro.
Fonte: Vinacc

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A receita de Jesus para a verdadeira felicidade




Referência: Mateus 5.1-3
INTRODUÇÃO
1. Jesus, o maior pregador
Este texto abre o que nós chamamos do maior sermão da história, o sermão do monte. Jesus é o maior pregador de todos os tempos. Ele é a própria Palavra encarnada. Ele é a verdade. Suas palavras são oráculos; suas obras, milagres; sua vida, modelo; sua morte, um sacrifício. Enquanto nós não podemos conhecer todas as faces dos ouvintes, ele conhece o coração de todos os homens.
2. Jesus, o maior pregador prega sobre a verdadeira felicidade
a) O cristianismo é a religião do prazer e da felicidade
O homem é um ser obsecado pelo prazer. O hedonismo, a filosofia que ensina que o prazer é o fim último do ser humano parece reger a humanidade. A grande questão é onde está esse prazer: nas coisas externas? No dinheiro? No sucesso? Na cultura? No sexo? Na diversão? Nas viagens psicodélicas?
Salomão buscou a felicidade na bebida, na riqueza, no sexo e na fama e viu que tudo era vaidade (Eclesiastes 2:1-10).
John Piper disse que o problema não é a busca do prazer, mas o contentamento com um prazer terreno, carnal, raso, passageiro. Deus nos criou para o prazer. A busca da felicidade é legítima. O verdadeiro prazer está em Deus. O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.
Agostinho disse: “Senhor, tu nos criaste para ti e a nossa alma não encontrará descanso até se repousar em ti”.
I. A VERDADEIRA FELICIDADE É UM GRANDE PARADOXO AOS OLHOS DO MUNDO
1. A verdadeira felicidade é abraçar o que o mundo repudia e repudiar o que o mundo aplaude
Jesus diz que feliz é o pobre, o que chora, o manso, o puro, o perseguido.
Jesus diz que bem-aventurado é o pobre de espírito e não a pessoa autosuficiente, arrogante, soberba.
Jesus diz que bem-aventurado é o que chora e não aquele que é durão, insensível.
Jesus diz que bem-aventurado é o manso, o que abre mão dos seus direitos e não o valente, o brigão.
Jesus diz que bem-aventurado é o pacificador, aquele que não apenas evita contendas, mas busca apaziguar os ânimos exaltados.
Jesus diz que bem-aventurado é o puro de coração e não aqueles que se banqueteam com todos os prazeres do mundo.
Jesus diz que bem-aventurado é o perseguido por causa da justiça e não aquele que procura levar vantagem em tudo.
Jesus diz que quem ganha a sua vida, a perde; mas o que a perde, esse é o que a ganha.
Jesus diz que o humilde é que será exaltado.
2. A verdadeira felicidade não está nas coisas externas, mas nas coisas internas
Jesus não disse que bem-aventurados são os ricos. Essa felicidade não está centrada em coisas externas. As riquezas não satisfazem. Deus colocou a eternidade no coração do homem. Nem todo o ouro da terra poderia preencher o vazio da nossa alma.
A verdadeira felcidade está centrada não na posse das bênçãos, mas na fruição da intimidade com o abençoador. Para alcançar a felicidade, não basta posse, mas fruição. Um homem pode morar num palácio e não se deleitar nele. Ele pode ter o domínio de um reino e não ter paz na alma. “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor” (Sl 144:15). Deus é o descanso da alma (Sl 116:7).
A verdadeira felicidade é deleitar-se em Deus, é alegrar-se com o sorriso de Deus, é beber dos rios de seus prazeres (Sl 36:8).
A verdadeira felicidade consiste em desfrutar da plenitude de Deus: ele é sol, escudo, herança, fonte, rocha, alegria, esperança.
A verdadeira felicidade consiste em tomar posse da bem-aventurança agora e na eternidade.
3. A verdadeira felicidade não é uma promessa para o futuro, mas uma realidade para o presente
Jesus não disse: Bem-aventurados serão os pobres de espírito, mas bem-aventurados são. Os crentes não serão felizes quando chegarem ao céu, eles são felizes agora. Os crentes são felizes antes mesmo de serem coroados. Eles são felizes não apenas na glória, mas a caminho da glória.
II. A VERDADEIRA FELICIDADE ESTÁ FUNDAMENTADA NO SER E NÃO NO TER
1. O que ser pobre de espírito não significa
a) Não significa pobreza financeira – Francisco de Assis foi o patrono daqueles que pensaram que renunciar as riquezas financeiras para viver na pobreza ou num monastério dava crédito ao homem diante de Deus. Mas a pobreza em si não é um bem, como a riqueza em si não é um mal. Uma pessoa pode ser pobre financeiramente e não ser pobre de espírito. A pobreza financeira pode ser fruto da obra do diabo, da exploração, da ganância e da preguiça.
b) Não significa ter uma vida espiritual pobre – Jesus não está elogiando aqueles que são espiritualmente pobres, descuidados com a vida espiritual. Ser pobre em santidade, verdade, fé e amor é uma grande tragédia. Jesus condenou a igreja de Laodicéia: “Sei que tu és pobre, miserável, cego e nu” (Ap 3:17).
c) Não significa pobreza de auto-estima – Jesus não está falando que as pessoas que pensam menos de si mesmas são felizes. Auto-estima baixa não é um bem, mas um mal.
d) Não significa timidez ou fraqueza – Essas características não são virtudes, senão males que devem ser combatidos.
2. O que significa ser pobre de espírito
a) Ser pobre de espírito é a base para as outras virtudes – A primeira bem-aventurança é o primeiro degrau da escada. Se Jesus começasse com a pureza de coração, não haveria esperança para nós. Primeiro precisamos estar vazios, para depois sermos cheios. Não podemos ser cheios de Deus, enquanto não formos esvaziados de nós mesmos. Esta virtude é a raiz, as outras são os frutos. Uma pessoa não pode chorar pelos seus pecados até saber que não tem méritos diante de Deus. Ele jamais sentirá fome e sede de justiça a não ser que saiba que carece totalmente da graça.
b) Ser pobre de espírito é reconhecer nossa total dependência de Deus – No grego há duas palavras para designar “pobreza”. Penês = é o homem que tem que trabalhar para ganhar a vida, é aquele que não tem nada que lhe sobre. É o homem que não é rico, mas que também não padece necessidades. Ele não possui o supérfluo, mas tem o básico. Ptokós = descreve a pobreza absoluta e total daquele que está afundado na miséria. É o mendigo, o extremamente necessitado. Aquele que não tem nada. Esta é a palavra que Jesus usou. Feliz é o homem que reconhece sua total carência e coloca a sua confiança em Deus. Feliz é o homem que reconhece que o dinheiro, o poder e a força não significam nada, mas Deus significa tudo. O poeta expressou bem o pobre de espírito:
Nada em minhas mãos eu trago,
Simplesmente à tua cruz me apego;
Nu, espero que me vistas
Desamparado, aguardo a tua graça;
Mau, à tua fonte corro,
Salva-me, Salvador, ou morro.
Ser pobre de espírito é agir como o publicano: “Senhor, compadece-te de mim, um pecado”. João Calvino disse: “Só aquele que, em si mesmo, foi reduzido a nada, e repousa na misericórdia de Deus, é pobre de espírito.” Moisés: “Senhor, quem sou eu, eu não sei falar”. Isaías clamou: “Ai de mim, estou perdido…”. Pedro gritou: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou pecador”. Paulo clamou: “Miserável homem que eu sou.”. Ser pobre de espírito é expor suas feridas ao óleo do divino Médico. Se uma pessoa não é pobre de espírito, ela não acha sabor no pão do céu, não sente sede da água da vida; ela vai pisar nas riquezas da graça, ela não vai jamais desejar a redenção nem ter prazer na santificação.
c) Ser pobre de espírito é a nossa verdadeira riqueza – A riqueza de Cristo só pode ser apropriada pelos pobres de espírito. Há aqueles que pensam que se pudessem encher suas contas bancárias com ouro seriam ricos. Mas aqueles que são pobres de espírito, esses é que de fato são ricos. Quão pobres são aqueles que pensam que são ricos: Jesus disse para a rica igreja de Laodicéia: Você é pobre e miserável. Mas Jesus disse para a pobre igreja de Esmirna: “Conheço a tua pobreza, mas és rica”.
3. Porque devemos ser pobres de espírito
Ser pobre de espírito é a jóia que o cristão deve usar. Primeiro o homem se torna pobre de espírito, depois Deus o enche com sua graça.
a) Enquanto você não for pobre de espírito, jamais Cristo será precioso para você – Enquanto não enxergarmos nossa própria miséria, jamais veremos a riqueza que temos em Cristo. Enquanto você não perceber que está perdido, jamais buscará refúgio em Cristo. Enquanto não enxergar a feiúra do seu pecado, jamais desejará o perdão e a graça de Cristo.
b) Enquanto você não for pobre de espírito, você não estará pronto para receber a graça de Deus – Aqueles que abrigam sentimentos de auto-suficiência e se sentem saciados, jamais terão sede de Deus. Aqueles que se sentem cheios de si mesmos, jamais poderão ser cheios de Deus. Aqueles que pensam que estão são, jamais buscarão o Médico. Aqueles que pensam que têm méritos, jamais desejarão ser cobertos pela justiça de Cristo.
c) Enquanto você não for pobre de espírito, você não pode ir para o céu – O Reino de Deus pertence aos pobres de espírito. A porta do céu é estreita e aqueles que se consideram grandes aos seus olhos não podem entrar lá.
4. Como podemos saber que somos pobres de espírito
a) Quando toda a base da nossa aceitação por Deus está nos méritos de Cristo – Uma pessoa pobre de espírito não tem nada a exigir, a merecer, a reclamar. Ela se vê desamparada até refugiar-se em Cristo. Ela não tem descanso para a alma até estar firmada na rocha que é Cristo. Ela não busca nenhuma outro tesouro ou experiência além de Cristo. Ela está plenamente satisfeita com Cristo.
b) Quando o nosso coração está desprovido de toda vaidade – Jó mesmo sendo um homem piedoso, que se desviava do mal, que suportou provas tremendas sem negociar sua fidelidade a Deus, disse: “Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42:6). Quanto mais graça ele tem, mais humilde ele se torna, porque mais devedor.
c) Quando o nosso coração anseia e clama mais por Deus em oração – Um homem pobre está sempre pedindo como Moisés. Ele sempre quer mais de Deus. Ele sempre está batendo no portal da graça. Ele sempre está derramando suas lágrimas no altar.
5. Motivos para sermos pobres de espírito
a) Ser pobre de espírito é nossa riqueza – Você pode possuir as riquezas do mundo e ser pobre. Mas você não pode ter essa pobreza de espírito sem ser rico. O pobre de espírito é aquele que se prepara para receber toda a riqueza de Cristo.
b) Ser pobre de espírito é nossa nobreza – Se você é pobre de espírito, Deus olha para você como uma pessoa de honra. Aquele que é pobre aos seus próprios olhos, é precioso aos olhos de Deus. Quanto mais você se humilha, mais Deus o exalta.
c) Ser pobre de espírito aquieta nossa alma – Então, pode dizer como o salmista: “Eu sou pobre e necessitado, mas Deus cuida de mim.”
III. A VERDADEIRA FELICIDADE É UMA RECOMPENSA PARA O PRESENTE E PARA O FUTURO
1. A posse do Reino de Deus é algo presente e não apenas futuro
Jesus disse: “Bem aventurados os pobres de espírito, porque dos tais é o Reino dos céus”. Ele não disse, “porque dos tais será o Reino dos céus”.
A felicidade cristã não é para ser desfrutada apenas no céu, mas agora, a caminho do céu. O povo de Deus deve ser o povo mais feliz da terra. “Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu? Povo salvo pelo Senhor, escudo que te socorre, espada que te dá alteza” (Dt 33:29).
A pobreza de espírito está conectada com a posse de um Reino mais glorioso do que todos os tronos da terra. Pobreza é o oposto de riqueza e ainda quão ricos são aqueles que possuem o Reino. A pobreza de espírito é o pórtico do templo de todas as demais bênçãos.
A palavra Makários descreve uma alegria e uma felicidade permanente, que não sofre variações. É uma alegria que não pode ser destruída pelas circunstâncias da vida. Jesus disse: “A vossa alegria ninguém poderá tirar” (Jo 16:22). É a felicidade que existe na dor, na perda, na doença, no luto. É o gozo que brilha através das lágrimas e que nada, nem a vida nem a morte, pode tirar.
Entramos no Reino e o reino entrou em nós (Lc 17:21). Estamos no mundo, mas não somos do mundo. Nascemos de cima, do alto, do Espírito. Estamos em Vitória, mas estamos em Cristo. Estamos em Vitória, mas estamos assentados nas regiões celestiais em Cristo. Estamos passando por lutas, mas já estamos abençoados com toda sorte de bênção em Cristo.
2. A nossa felicidade será completa quando tomarmos posse definitiva do Reino no futuro
a) Os salvos não apenas vão entrar na posse do Reino, mas vão reinar com o Rei da glória – Estaremos não apenas no céu, mas também nos tronos. Teremos uma coroa, teremos vestes reais, receberemos um trono (Ap 3:21).
b) O reino dos céus excede ao esplendor dos maiores reinos do mundo – 1) Porque o fundador desse Reino é o próprio Deus. 2)Porque esse Reino será mais rico do que todos as riquezas de todos os reinos. Tudo que é do Pai é nosso. Somos os herdeiros de todas as coisas. 3) Porque o Reino dos céus excede aos demais em perfeição. As glórias de Salomão serão nada. As glórias dos palácios dos skaikes dos Emirados Árabes serão palhoças. 4) Porque o Reino dos céus excede em segurança – Nada contaminado vai entrar lá, nenhuma maldição. 5) Porque o Reino dos céus excede em estabilidade – Os reinos do mundo caíram e cairão, mas o Reino de Deus permanecerá para sempre. O crente mais pobre é mais rico do que os reis mais opulentos da terra.
CONCLUSÃO
Temos nós andado de modo digno desse Reino? Temos vivido de modo compatível com aqueles que vão assentar em tronos? Temos resplandecido a glória de Deus em nós?
Seu coração está vazio de vaidade? Está sedento pelas coisas do céu? Você já abriu mão de tudo para se derramar aos pés de Cristo?
No tempo de Cristo quem entrou no Reino não foram os fariseus que se consideravam ricos em méritos, nem os zelotes que sonhavam com o estabelecimento do Reino com sangue e espada; mas os publicanos e as prostitutas, o refugo da sociedade humana que sabiam que eram tão pobres que nada tinham para oferecer, nem receber. Tudo o que podiam fazer era clamar pela misericórdia de Deus.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Parábolas bíblicas: um estudo introdutório - Esdras Costa Bentho



Parábola no Antigo e Novo Testamento

O termo grego parabolē (parabolh,) é traduzido com diversos sentidos no contexto do Novo Testamento. Depois dos Evangelhos, somente o escritor aos Hebreus emprega o vocábulo por duas vezes (9.9; 11.19), mas seu uso frequentemente está relacionado aos ensinos de Jesus nos Evangelhos. Em Hebreus 9.9 o vocábulo é traduzido por “alegoria” (ARC), “ilustração” (NVI), “parábola” (TB, ARA) e “símbolos” (BP, TEB, BJ). Em Hebreus 11.19 a ARA traduz o vocábulo por “figuradamente”, seguida pela NVI e ARC; a TEB por “prefiguração”; a BP lê “símbolo” e a TB traz “figura”. Em Mateus 13.18 as versões traduzem literalmente por “parábola”. Em Mateus 21.45 a ARC verte o vocábulo por “palavras” enquanto a TB, ARA, TEB e a NVI mantêm o sentido literal “parábolas”. Os Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) usam o termo por quarenta e oito vezes, de acordo com na27 e gnt4:

 parabolai/j      [12]         Mt .3,10,13,34,35; etc.                                                                                       

parabola.j     [4]           Mt 13.53; 21.45; Mc 4.10,13;

parabolh,         [3]           Mc 4.30; Lc 8.11 [Hb 9.9; 11.19];

parabolh.n    [26]          Mt 13.18,24,31,33,36; 15.15 (etc)

parabolh/j    [3]             Mt 13.34; Mc 4.34; Lc 8.4.

 
O vocábulo procede da preposição para (para,), isto é, “ao lado de”, que expressa movimento “próximo a”; e de ballō (ba,llw), que significa “lançar”, “jogar”, “pôr” ou “colocar”. O significado literal, portanto, é “jogar ou lançar ao lado de”, e, por extensão, “comparar”, “figura”, “parábola”. Parábola é a justaposição de “uma coisa ao lado de outra” com a finalidade de comparar e ilustrar uma ou mais verdades.

Todavia, não se deve limitar a parábola as figura de comparação (metáfora, símile), às figuras de contraste (ironia, eufemismo), e às figuras compostas(alegoria, fábula, enigma)1, mas antes entendê-la como artifício retórico de argumentação análoga, usada como arguto recurso literário, didático e retórico capaz de incluir várias outras figuras. A relação entre as figuras decomparação (o`moio,w) e a parábola (paraba,llw) está explícito em Marcos 4.30.
 
O próprio J. Jeremias demonstrou a inutilidade de se tentar classificar rigidamente as diferenças entre esses recursos retóricos e estilísticos, uma vez que o māšal inclui “toda sorte de linguagem figurada”.2 Schottroff, no entanto, prefere limitar a parábola ao contexto dos Evangelhos Sinópticos em vez de estudá-la em um sentido mais amplo.Entendo que a preocupação da autora é fugir da limitação a que os escritores ocidentais de tradição aristotélica sempre recaem ao considerar esse recurso dentro do escopo da Retórica, apenas como ilustração para facilitar a compreensão em assuntos de redobrado esforço cognitivo.
 
Certo é que o emprego sinóptico discorda dessa maneira usual de compreender a parábola. Em Marcos 4.11-13, por exemplo (ver Mt 13.13-17), a parábola é usada com sentido completamente diferente, enigmático. Não é narrada para explicar, mas para ocultar o sentido! Outros textos, como Lucas 4.23, “Médico, cura-te a ti mesmo” (VIatre,( qera,peuson seauto,n), traduzido pela ARC como “provérbio”, como se tratasse de um mero aforismo, é uma parábola, de acordo com a tradição sinóptica (ver 1Sm 10.12; 24.13; Ez 16.44).
 
Certamente equivale a um aforismo semelhante aqueles que encontramos nos livros de sabedoria do Antigo Testamento, todavia, melhor definido como uma parábola de caráter epigramático sintético e que se presta a uma comparação direta ou metafórica. Percebe-se, portanto, que o ensino parabólico é direto e simples, a fim de que toda audiência possa compreender a insensatez ou a sabedoria demonstrada pelos atores parabólicos. Todavia, a base para a compreensão do recurso parabólico na tradição sinóptica acha-se não somente no Antigo Testamento, mas também nos escritos de Qumran e nos pseudoepígrafos.4

Como afirmou Manson, a pesquisa a respeito da natureza da parábola não deve se restringir “as obras dos retóricos ocidentais”, mas sim, ao “Velho Testamento”5, como faz J. Jeremias ao descrever as parábolas como uma forma de māšal. Nesta categoria, Sellin, Fohrer e Vermes incluem uma variedade de ideias baseadas na comparação: “máxima, provérbio propriamente dito, pronunciamento de sabedoria, similitude e a assim chamada parábola-histórica, seja em prosa ou em poesia”.6 De modo geral, o māšal designa os gêneros literários da doutrina sapiencial do Antigo Testamento empregados de modo elástico e abundante nas escrituras veterotestamentárias. Não se pode negar a correspondência entre as duas tradições, semítica e helênica, entretanto é necessário distinguir entre o modo de falar e a função da parábola na primeira em relação à segunda. Àquela supera esta pela natureza própria da mensagem que transmite.

Lembremos que no Antigo Testamento, a Septuaginta (LXX) traduz o termo hebraico māšal (lv'm') por parabolē (parabolh,); e que o vocábulo semítico é usado com frequência para se referir aos “provérbios” (māšal) dos sábios (1Sm 24.13; Ez 17.2; 18.2; etc.).7 Em sentido lato, tanto o termo hebraico quanto o grego significam “ditos de sabedoria”, ou “comparação com intenção didática”. O significado restrito, por sua vez, quer dizer “comparação”, “correspondência” ou “translação de sentido”, como se emprega geralmente em o Novo Testamento. Mas as correspondências são epidérmicas e fugidias. As parábolas greco-romanas, de acordo com Snodgrass, apresentam significativas diferenças das parábolas de Jesus, embora algumas apresentem o mesmo padrão. Porém, o vocábulo māšal eparabolē como se apresentam nas Escrituras tem um campo semântico superior ao uso comum heleno-latino.8 Segundo Osborne, com exceção da parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37), as de Jesus são diferentes das mais 325 rabínicas e também das parábolas helênicas.9
Essa estreita relação da parábola nos Sinópticos com o māšal no Antigo Testamento dificulta uma definição abrangente, uma vez que é necessário enfatizar o conceito semítico sem, contudo, ignorar o ocidental. O especialista Snodgrass, após extensa pesquisa, demonstrou a dificuldade de se definir correta e completamente as parábolas pelo caráter multifacetado e amplo desse recurso literário.10 C. H. Dodd também reconheceu a problemática.11  Stein reconhece que é difícil defini-la e prefere enfatizar mais sua classificação juntamente com o gênero māšal; afirma

Em ambos os casos, os termos podem referir-se a um provérbio (1Sm 24.13; Ez 18.2,3; Lc 4.23; 6.39); uma sátira (Sl 44.11; 69.11; Is 14.3,4; Hc 2.4); uma charada (Sl 49.4; 78.2; Pv 1.6); um dito simbólico (Mc 7.14,17; Lc 5.36,38); uma símile extensa ou similitude (Mt 13.33; Mc 4.30,32; Lc 15.8-10); uma parábola histórica (Mt 25.1-13; Lc 14.16,24; 15.11-32; 16.1-8); um exemplo de parábola (Mt 18.23-25; Lc 10.29-37; 12.16-21; 16.19-31); e, até mesmo, uma alegoria (Jz 9.7-20; Ez 16.1-5; 17.2-10; 20.49 – 21.5; Mc 4.3-9,13-20; 12.1-11).12
Apesar do aviso dos especialistas atrevo-me a conceituá-la como: Recurso literário do gênero narrativo e dito fictício que ilustra ou oculta uma verdade moral e religiosa com o propósito de inserir o ouvinte-leitor dentro do enredo para que ele atente para a advertência, o exemplo, a doutrina ou o comportamento que deve ser apreciado ou rejeitado de acordo com o propósito da parábola.

Nesse aspecto é necessário que se entenda a parabolē como recurso importante e necessário aos textos ou ensinos:

a) Admoestativos: isto é, que se propõem por meio de uma analogia   ou comparação advertir de uma falta, aconselhar a uma atitude, ou a exortar (2Sm 12.1-7; Mt 18.23s; Lc 12.16s; 16.1s, etc.);
b) Indicativos: ou seja, que procuram impressionar o leitor-ouvinte a  fim de que sinta admiração, espanto ou repulsa concernente algum ensino de caráter moral ou religioso (Lc 7.40-43; 8.4-18; 16.1-13; etc.);
c) Atitudinais: pois tem por objetivo levar o leitor e ouvinte a se posicionarem a favor ou contra uma ideia, opinião ou verdade em uma controvérsia. O ouvinte-leitor, quando ouve ou lê a comparação é conduzido a decidir-se a favor ou contra aquilo que está evidente na parábola (Mt 20.1-16; 21.28-32, etc.);
d) Aférese: uma vez que o sentido está contido na descrição, mas oculto por supressão da linguagem direta, provocando a suspensão do juízo por parte daqueles que não tem empatia com a mensagem comunicada (Mt 13.13-17; Mc 4.11-13, etc.).
Entre as inúmeras pessoas no Antigo Testamento que usaram este recurso, podemos citar como exemplo, ainda que não exclusivamente:
a) O Profeta Ezequiel: O profeta Ezequiel está entre os inúmeros personagens bíblicos que fizeram uso desse recurso estilístico e didático, a fim de comunicar uma mensagem parenética, nem sempre clara e acessível àqueles que estivessem à margem dos contextos político e religioso de seu tempo (cf. Ez 17.3-10; 19.2-9,10-14; 21.1-5; 24.3-5; cf. Is 5.1-7).

b) Os Sábios de Israel: As parábolas também eram usadas pelo povo, sábios e profetas de Israel em forma de provérbios parabólicos (cf. Ez 18.1-3; Sl 78.2; ver 2Sm 12.1-14; 14.1-11; 1Rs 20.35-40).13 O propósito da parábola facilmente é visto quando observamos o uso da figura nas mensagens e ensinos dos sábios e profetas. Uma verdade ficava mais clara e inteligível ao povo quando era  acompanhada de uma narrativa que colocava a realidade a ser percebida com a história a ser contada.

De modo semelhante, com o emprego do método parabólico para descrever o ensino e a mensagem do Reino de Deus, Jesus pretendia tornar a realidade e verdades do Reino de Deus compreensível ao homem de seu tempo, desde que esse respondesse positivamente ao seu ensino. Esta é a principal razão pela qual repetidamente a parábola se inicia com o adjetivo e derivados de homois (o[moij; Mt 13.24; 31, 44, 45, 47), traduzido por “semelhante”, mas que também significa “da mesma natureza”, “igual” ou “similar”. A similitude está na relação entre a narrativa e a coisa exemplificada. Contudo, a eficiência da parábola, como atesta Manson, não depende de sua “possível virtude ilustrativa”, mas da “reação” daqueles a quem a parábola é dirigida.14
 

Esdras Costa Bentho é pedagogo, teólogo e mestrando em teologia pela PUC - RJ.
 
Esta breve introdução faz parte da nova edição de nosso livro Hermenêutica Contextual que será relançado em breve.
 
NOTAS
1. BENTHO, E.C. Hermenêutica fácil e descomplicada. 13.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p.321-324.
2. JEREMIAS, J. As parábolas de Jesus. 10.ed., São Paulo: Paulus, 2007, Nova Coleção Bíblica, p.13.
3. SCHOTTROFF, L. As parábolas de Jesus: uma nova hermenêutica. São Leopoldo: Sinodal, 2007, p.128.
4. Cf. SNODGRASS, K. Compreendendo todas as parábolas de Jesus: guia completo. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.80-103; VERMES, G. A religião de Jesus, o judeu. Rio de Janeiro: Imago, 1995, p.87-94; FLUSSER, D. O judaísmo e as origens do cristianismo. Rio de Janeiro: Imago: 2000 [vl.1], 2001 [vl.2], 2002 [vl.3].
5. MANSON, T. W. O ensino de Jesus: pesquisa sobre a sua forma e conteúdo. São Paulo: ASTE, 1965, p.76.
6. VERMES, G. A religião de Jesus, o judeu. Rio de Janeiro: Imago, 1995, p.87; SELLIN, E.; FOHRER, G.Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Ed. Paulinas, 1997, Nova Coleção Bíblica 6, vl.2, p.460.
7. Cf. Verberte: lv;m' (māshal). In: HARRIS, R. L. (et al). Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1998, p.889. Veja ainda, o vocábulo hd'yxi (hiîdâ), p.618, cujo significado é enigma, parábola ou problema.
8. SNODGRASS, K. Compreendendo todas as parábolas de Jesus: guia completo. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.85-93.
9. OSBORNE, G. R. A espiral hermenêutica: uma nova abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 372.
10. SNODGRASS, K., Op.cit.
11. DODD, C.H. As parábolas do Reino. São Paulo: Fonte Editorial, 2010.
12. STEIN, R. H. Guia básico para a interpretação da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p. 143.
13. Veja nossa discussão a respeito em BENTHO, E.C. Davi na corte real: vivendo com sabedoria. In: GONÇALVES, J. (et al.) Davi: as vitórias e derrotas de um homem de Deus. 4.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.35-56.
14. Cf. MANSON, T. W. Op.cit., p.82.