sexta-feira, 31 de maio de 2013

Funções e Dons eclesiásticos



E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres”(Ef 4:11)

 

INTRODUÇÃO


O padrão universal de liderança eclesiástica que Deus estabeleceu para sua Igreja, bem como a descrição dos propósitos, definidos e mensuráveis, que Ele propôs para serem alcançados, encontra-se em Efésios 4:11-16: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos a unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.”

Os dons ministeriais são, portanto, a constituição do legítimo exercício da liderança eclesiástica para conduzir o corpo de Cristo aos verdadeiros propósitos para os quais ele veio à existência. Quais são esses propósitos? (a) Treinamento – Ef 4:12; (b) Realização - Ef 4:12; (c) Edificação - Ef 4:12; (d) Unidade - Ef 4:13; (e) Conhecimento - Ef 4:13; (f) Similitude - Ef 4:13; (g) Firmeza - Ef 4:14; e (h) Crescimento - Ef 4:15,16. Qualquer outra liderança em outros departamentos da igreja deve seguir o mesmo padrão.

I. CHAMADO GERAL


1. Chamado para todos. A chamada em Cristo Jesus não é apenas um chamado para nos libertar do pecado e nos levar para o Céu. Se assim fosse, logo após a nossa conversão a Cristo, seríamos tirados da Terra por Ele. Contudo, a salvação envolve o chamado de Deus para fazermos parte do seu Plano redentor a todas as pessoas.

Cada membro do rebanho de Cristo é um ministro de Cristo encarregado de exercer as funções de seu Senhor por meio de suas determinações em relação ao semelhante e a Deus. Em outras palavras, é um instrumento divino para promover a sua justiça e a ministrar a sua adoração. No Novo Testamento há cinco listas demonstrando que todo discípulo é agraciado com algum dom espiritual ou ministerial: (a) Romanos 12:3-8; (b) 1Corintios 7:7; (c) 1Corintios 12:4-10,28-31; (d) Efésios 4:7,11; (e) 1Pedro 4:10,11. A partir desses textos pode-se concluir que na Igreja de Cristo todo discípulos tem pelo menos um dom espiritual ou ministerial, mas que nenhum possui todos os dons, sendo Deus quem os distribui segundo a sua vontade, a fim de que haja a edificação do Corpo de Cristo.

A diaconia é para todos os crentes


No Novo Testamento ocorre o registro de determinados irmãos não detentores de títulos ou funções eclesiásticas, exercendo atividades comuns às da liderança. Por exemplo, pode ser verificado que a autoridade para batizar estava depositada sobre a liderança eclesiástica constituída por “Apóstolos” (João 4:2), “Evangelistas” (At 8:38) e “Missionários” (At 16:15,33). Todavia, alguns irmãos que acompanhavam Pedro em sua missão junto aos gentios receberam autorização para batizar: “Então, chamando-os para dentro, os recebeu em casa. No dia seguinte, foi Pedro com eles, e foram com ele alguns irmãos de Jope. E mandou que fossem batizadosem nome do Senhor”(Atos 10:23,48a).

Aqui, nada é dito se eram lideres da comunidade de Jerusalém ou apenas discípulos. Se for considerado que o termo “irmãos” seja uma referência aos discípulos de um modo geral, isto é, aos não ordenados à liderança eclesiástica pela imposição de mãos, é possível que o texto acima indique que os discípulos da comunidade de Jerusalém, sob a supervisão de seu líder pastoral, podiam auxiliar na continuidade da missão, batizando novos convertidos. É possível que a ordem para batizar fora dada pelo apóstolo Pedro aos demais cristãos presentes, não sendo obrigatório o batismo pelo ministro pastoral, conforme o exemplo de Paulo (1Co 1:14-17).

Esse tipo de participação ativa por parte de todo o povo de Deus, sob a supervisão de sua liderança, não seria uma novidade implementada pela igreja, pois o Antigo Testamento também testifica que o povo de Israel exercia, em determinadas circunstâncias, funções típicas das lideranças ordenadas e consagradas, como no caso de sua participação em cerimônias de ordenação e consagração dos levitas, nas quais todo o povo impunha suas mãos sobre a nova liderança: “Farás, pois, chegar os levitas perante o SENHOR; e os filhos de Israel porão as suas mãos sobre os levitas”(Nm 8:10).

Essas informações bíblicas sugerem que a instrumentalidade do povo de Deus não estava necessariamente limitada aos lideres das comunidades primitivas, mas podia ser estendida aos discípulos, sob a supervisão de seus lideres pastorais. Isto é, os santos apresentavam algum grau de participação ativa junto às lideranças eclesiásticas, com todos podendo ser considerados ministros de determinada diaconia.

2. Chamado para servir. O chamado ministerial é um chamado para ser um servo para o corpo de Cristo. Nunca devemos pensar nisto como algo do que se orgulhar ou uma posição que tenha sua própria importância.

Em 1Corintios 12:5 o termo “ministério” é a tradução do vocábulo grego “diakoniôn”, pertencente à esfera dos “ministérios, serviços, ocupações, exercícios ou encargos”. Portanto, todo ministério é diaconia, e toda diaconia é serviço. Dessa forma, na igreja de Cristo existe uma diaconia básica, sendo o fundamento para o exercício de quaisquer outros ministérios: servir como Cristo serviu.Como sempre, Jesus é o nosso exemplo:

João 13:3-9: Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus, e que ia para Deus, levantou-se da ceia, tirou as vestes e, tomando uma toalha, cingiu-se. Depois, pôs água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha  com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim? Respondeu Jesus e disse-lhe: O que eu faço, não o sabes tu, agora, mas tu o saberás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.

João 13:12-17: Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado,  maior do que aquele que o enviou. Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.

II. CHAMADO ESPECÍFICO


A vocação para uma função eclesiástica é um chamado específico de Deus, conjugado por uma necessidade urgente e uma capacitação especial. Há muitos pastores, evangelistas, presbíteros, educadores cristãos, que jamais foram chamados por Deus para exercerem esses ministérios. Eles são voluntários, mas não vocacionados. Entraram pelos portais do ministério por influências externas, e não por um chamado interno e eficaz do Espírito Santo. Foram motivados pela sedução do status ministerial, mas jamais foram separados por Deus para esse mister.

Há aqueles que entram no ministério com a motivação errada. Abraçam o ministério por causa do lucro; outros, por causa da fama. Outros ainda, por acomodação. Há aqueles que tentam vestibular para medicina, direito, engenharia e, por não lograrem êxito, chegam à conclusão de que Deus os está chamando para o ministério. Mas, vocação é quando você tem todas as outras portas abertas, mas só consegue enxergar a porta do ministério. Vocação é como algemas invisíveis; você não pode fugir permanentemente desse chamado. O profeta Jeremias tentou desistir do seu ministério, mas isso foi como fogo em seus ossos.

1. Missão especifica. Embora todos sejam chamados, há, no entanto, alguns convocados para tarefas especiais de ministério. No Antigo Testamento, o Espírito Santo atuava na vida de alguns líderes em Israel, tais como: Juízes, reis, profetas e sacerdotes, etc, capacitando-os a realizar os propósitos divinos, como podemos ver na vida de Josué (Nm 27:8-21); Otoniel (Jz 3:9-10; José (Gn 41:38-40); Bezaleel (Êx 35:30-31); Moisés (Nm 11:16,17); Gideão (Jz 6:34), Jefté (Jz 11:29); Sansão (Jz 13:24,25); Saul (1Sm 10:6), dentre outros. No Novo Testamento acontece a mesma coisa. Deus habilita determinadas pessoas para uma missão especifica. Paulo e Barnabé estavam ministrando em Antioquia quando o Espírito Santo os chamou para uma tarefa específica – “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13:2).

2. Qualificações. As qualificações que se exigem das pessoas responsáveis pela liderança e administração da igreja encontram-se listadas nas Escrituras (1Tm 3:1-8; Tt 1:6-9). As listas de qualificações apresentadas nestes textos sagrados para os cargos na igreja, não são listas rígidas de julgamento que tem a finalidade de desqualificar certas pessoas. Ao contrário, elas servem como um “barômetro” para a maturidade espiritual. Aqueles que aspiram um cargo na igreja devem perceber que viver uma vida pura e irrepreensível exige esforço e auto-disciplina. Todos os crentes, mesmo se nunca planejarem ser líderes da igreja, devem se esforçar para seguir estas diretrizes, porque elas são coerentes com o que Deus diz que é verdadeiro e correto. A força para viver de acordo com a vontade de Deus vem de Cristo.

3. Funções ministeriais. Apóstolo, profeta, evangelista, pastor e mestre não são ranques de títulos ou posições na igreja. Ao contrário, eles são funções. Cada função ministerial exerce uma parte importante na edificação do corpo de Cristo. Por exemplo, quando Paulo escreveu suas epístolas, ele frequentemente começava dizendo: “Paulo, um apóstolo”, mostrando que ser um apóstolo é um dom ministerial ou uma função no corpo de Cristo. Ele não disse: “O Apóstolo Paulo”, o que teria indicado seu apostolado como sendo um título.

III. OS DONS MINISTERIAIS


O termo “Ministério” é a tradução utilizada para designar a esfera de serviço(ou diaconia) dos discípulos de Cristo, em virtude de sua capacitação pelo Espírito Santo. Um ministro é definido no Novo Testamento como alguém “comissionado para desempenhar algum serviço”, “submisso voluntariamente a outro para cumprir uma tarefa”, “autorizado para proclamar a Palavra de Deus”, “que desempenha uma ou mais das variadas ocupações ou serviços do Corpo de Cristo”. A variedade de ministérios eclesiásticos registrados no Novo Testamento é consequência das diversas necessidades da Igreja em sua tarefa de evangelizar e fazer discípulos.

1. Classificação. Pode-se classificar os dons ministeriais usando como critério o local onde eles são prioritariamente empregados. Visa-se com isso, chamar a atenção para o fato de que todo crente tem uma obra a realizar e que Deus equipou cada um de nós para esse fim.

Com o passar do tempo, as necessidades envolvendo a missão da Igreja em pregar o Evangelho e fazer discípulos obrigou o “ministério pastoral apostólico” a organizar os membros da Igreja conforme os ministérios de liderança concedidos pelo Espírito Santo. Uma comparação entre o texto de Efésios 4:11 com 1Corintios 12:28 permite observar que a liderança eclesiástica neotestamentária deixou de ser constituída apenas pelos apóstolos e o grupo dos Sete Diáconos, vindo a ser ocupada por “apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres”.

- Efésios 4:11: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros paraevangelistas, e outros para pastores mestres”.

- 1Corintios 12:28: “ E a uns pôs Deus na igreja, primeiramenteapóstolos, em segundo lugarprofetas, em terceiromestres, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”.

Estes dons ministeriais de liderança eclesiástica podem ser didaticamente classificadas em dois tipos: “Itinerante (desenvolvido pelos apóstolos)Semi-fixo (exercido pelo Evangelista e Profeta”) e Fixo (exercido por pastores e mestres).

1.1. Ministério Itinerante. Empregados prioritariamente fora da igreja local.

a) Apóstolos. O termo grego “apóstolos” significa literalmente “enviado” ou “mensageiro”. Ocorre pela primeira vez na literatura do Novo Testamento em Mateus 10:2. O Senhor Jesus Cristo é reconhecido como o Supremo Apóstolo (Hb 3:1), tendo sido o modelo para os Doze, assim como para Paulo, o qual veio a ser escolhido por Deus para ser seu apóstolo entre os gentios (At 13:1-3; Gl 1:14,15; 2:7-8). A partir do Pentecostes, os Doze assumiram a proclamação do Evangelho ao mundo, tornando-se juntamente com os profetas do Antigo Testamento o fundamento da Igreja (Ef 2:20).

a.1) Apóstolos “originais”: Em sentido restrito designa os Doze (Lc 6:13; At 1:26; 2:14) e Paulo (Rm 1:1; 1Co 1:1,2). Esses Apóstolos “originais” eram testemunhas da ressurreição de Cristo (At 1:22;  1Co 9:1), escolhidos pessoalmente pelo Senhor (Mc 3:13-19; Gl 1:1), formando ao lado dos profetas do Antigo Testamento o fundamento sobre o qual a Igreja está construída (Ef 2:20; cf At 2:42). Nesse sentido restrito, o dom de apóstolo não mais existe.

a.2) Apóstolos “extensivos”: Outros discípulos além dos doze e Paulo também foram chamados de apóstolos na Igreja do Novo Testamento, tais como Barnabé (At 14:14), Apolo (1Co 4:6,9), Silvano e Timóteo (1Ts 1:1; 2:6) e, segundo alguns, Andrônico e Júnias (Rm 16:7), este último sendo um nome feminino, o que sugere a possibilidade de as mulheres terem atuado como apóstolas. Como o termo “apóstolo” significa “envio, despacho, despeço”, esse dom permanece na Igreja contemporânea com uma conotação estritamente missionária, distinguindo os cristãos separados por Deus para a tarefa missionária (Rm 1:5; 1Co 9:2; Gl 2:8), capacitando-os a fundar e consolidar igrejas (2Co 11:28) por meio das missões culturais ou transculturais. Assim, o termo “apóstolo”, em sentido secundário ou extensivo, é sinônimo do termo “missionário” (cf. At 9:13-17; 14:21-28; 1Co 9:19-23; Gl 1:15-17;; 2:7-14; Ef 3:6-8).

Portanto, sendo um dom ministerial, uma operação de Cristo, feita pelo Espírito Santo, temos de admitir que se trata de um dom que persiste nos nossos dias, mas não devemos nos esquecer que o dom de apóstolo nada tem que ver com os “títulos” que se têm dado na atualidade e que, se alguma base bíblica tem, só pode ser a referência de 2Co 11:13: “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo”.

1.2. Ministério Semi-Fixo. Empregado prioritariamente dentro e fora da igreja local.

a) Evangelistas. O texto bíblico sugere que os “evangelistas” eram os líderes eclesiásticos funcionalmente envolvidos como a proclamação do Evangelho como a Palavra divina encarnada em Jesus Cristo (At 8:5-8). Diferentemente dos “apóstolos” que, em geral, viajando para uma cidade, permaneciam evangelizando ali a fim de organizarem uma nova igreja local (At 20:1-3, 6,7,11,17; 21:8,9), os “evangelistas” possivelmente auxiliavam na proclamação do Evangelho aos incrédulos junto às igrejas já construídas, conforme Filipe o evangelista, que residia na cidade de Cesaréia (At 21:8). Ou seja, os evangelistas proclamavam a Palavra na região onde estavam congregados.Paulo, sabendo da importância deste dom, disse a Timóteo: “Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”(2Tm 4:5).

b) Profetas. O vocábulo “profeta” é a transliteração do termo grego “prophétês”, que significa “aquele que prediz” ou “aquele que conta de antemão”, comum na descrição dos profetas do Antigo Testamento.

O profeta do Antigo Testamento era um dos instrumentos de Deus para anunciar sua revelação, sendo parte do fundamento da Igreja. Nesse sentido, não há mais profetas segundo o perfil veterotestamentário, pois Deus se auto-revelou na pessoa e ensino de Jesus Cristo, conforme proclamado no ensino apostólico. Com a morte do último dos apóstolos “originais” (João, c. 95.d.C) findou-se o cânon do Novo Testamento, encerrando-se a revelação bíblica e, portanto, tornando-se desnecessário ser acrescentado qualquer outro elemento à revelação divina. Devido a esse fato, Paulo identifica os Doze  e os profetas como o fundamento da Igreja (Ef 2:20).

Todavia, a função profética continua presente nos dias de hoje por meio da proclamação para edificação da Igreja (cf. At 13:1,2) e evangelização dos incrédulos. Em 1Corintios 14, o apóstolo Paulo ao tratar das questões concernentes ao dom de profecia, não faz qualquer referência à capacidade de predição, mas ensina que a profecia é a capacidade especial que o Espírito Santo concede a alguns discípulos para a percepção e a proclamação, vendo além do terrestre e material, apreendendo a realidade das coisas espirituais e divinas concernentes à percepção clara da vontade de Deus conforme revelada na sua Palavra, declarando-a para edificação dos cristãos e salvação dos incrédulos. Quer dizer, é um dom que hoje, envolve a iluminação da Palavra divina, e não sua revelação.

Não há evidências neotestamentárias precisas quanto à possibilidade dos membros deste ministério exercer um ministério “itinerante”. Em 1Corintios 14, eles são descritos como atuantes no culto de adoração, e o texto de Atos 21:9 registra que a comunidade cristã de Cesaréia possuía (pelo menos) quatro profetisas, as quais habitavam na própria cidade (At 21:8); também em Atos 13:1-3 é mencionado que a Igreja de Antioquia possuía “profetas” presentes em suas atividades eclesiásticas.

Segundo 1Corintios 14:1,3,5, os que exerciam o ministério profético possuíam mais importância do que os capacitados carismaticamente com o dom de línguas, pois o ministério profético neotestamentário tinha como objetivo o consolo e a edificação do Corpo de Cristo, além de ser usado por Deus para converter os incrédulos.

1.3. Ministérios Fixos. Ministérios empregados prioritariamente dentro da Igreja: pastores, presbíteros, mestres.

a) Pastores. Pastores são homens que servem debaixo da autoridade do “Supremo Pastor” cuidando das “ovelhas” do Cristo. Guiam e alimentam o rebanho. O seu ministério é o de sábio conselho, correção, encorajamento e consolo.

- No Antigo Testamento, o termo “pastor”, literalmente, refere-se aos cuidados de um indivíduo alimentando, disciplinando e protegendo seu rebanho. A partir dessa interpretação, surgiu o conceito acerca de Deus como “pastor de Israel” (Gn 48:15; Sl 80:1) alimentando (Is 40:11), protegendo(Am 3:12), disciplinando (Sl 23:2) e resgatando as ovelhas desgarradas (Jr 31:10; Ez 34:12) de seu rebanho. Essa ideia de “pastoreio” foi estendida aos líderes do povo de Israel, os quais atuavam sob a supervisão de Deus, como, por exemplo, os juízes, reis, profetas e sacerdotes, os quais também foram denominados “pastores” (cf. Nm 27:17; 1Rs 22:17; Jr 2:8; Ez 34:2).

- No Novo Testamento,  o termo “pastor” é a tradução do vocábulo grego “poimén”, podendo ser interpretado como: “pastor, guia, ministro, clérigo; superintendente, inspetor, diretor; tutor, guardião”. Os escritores inspirados do Novo Testamento mantiveram a ideia veterotestamentária do termo “pastor” aplicando-o ao Senhor Jesus Cristo como o “Pastor” (João 10:2,11,14,16) e assim reconhecendo suas atribuições como Aquele que exerce a função de pastoreio do rebanho do Pai (Mt 25:32; 26:31). O escritor da epístola aos Hebreus refere-se ao Senhor Jesus como o “grande pastor das ovelhas” (Hb 13:20) e a primeira epístola de Pedro por sua vez o declara como sendo “pastor e Bispo das vossas almas” (1Pe 2:25). Jesus considerou os apóstolos como seus sucessores na missão de pastoreio da Igreja; a mesma simbologia foi perpetuada nos escritos do apóstolo Paulo com referência aos líderes que exerciam suas funções de administração(governo)das igrejas.

Conforme Carlos Alberto R. de Araújo, a partir do termo neotestamentário “poimén” é possível listar diversas interpretações para o ato daquele que pastoreia a Igreja, como, por exemplo:

-          Vigilância: conserva-se no constante exercício de suas funções, concentrando ou exercendo a sua influência benéfica ou protetora sobre o rebanho, além de permanecer em perene atividade.

-          Alimentação: fortalece espiritualmente o rebanho de Cristo por meio do ensino da sua Palavra.

-          Proteção: preserva o rebanho dos perigos auxiliando-o quanto aos obstáculos em sua peregrinação à glória, envolvendo-se ativamente no resgate dos doutrinariamente “desgarrados”, mantendo-se atento para “defender” por meio da apologética cristã e da oração persistente a assembleia de discípulos. Sua função é descrita como a de um “vigia” que, servindo sob o “estado de vela”, permanece em constante exercício, espreitando a favor de seu rebanho.

Deve ser ressaltado que o Novo Testamento não menciona a existência de uma hierarquia eclesiástica com os que presidem a congregação sendo mais espirituais do que aqueles que estão sob seus cuidados pastorais. O único que está de forma absoluta, espiritual e hierarquicamente acima dos membros da Igreja é Jesus Cristo, o Senhor da Igreja, sendo seu único Mediador, Intercessor e Sumo Sacerdote. Nenhum líder possui o direito de ser reconhecido como espiritualmente superior ao restante dos membros da Igreja, à semelhança de um “pontífice” entre Deus e os seres humanos, isto é, como uma espécie de “ponte” entre Deus e os discípulos, e por meio da qual fluiriam bênçãos. Esse tipo de posição na hierarquia religiosa ocorria no Antigo Testamento na pessoa dos sacerdotes do Templo, os quais tinham a função de mediar o encontro entre o pecador confesso e Deus, a fim de que ocorresse o recebimento do seu perdão ou o derramamento de bênçãos. Como Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote e simultaneamente o Propiciatório e o Propiciador, é o único meio de graça, e, por conseguinte, toda e qualquer bênção alcança o ser humano apenas por sua mediação. Assim, pode-se concluir que não há qualquer ministério eclesiástico humano que deva ser reconhecido como espiritualmente superior ao restante dos membros da Igreja, e por meio do qual os discípulos recorram para que as bênçãos sejam-lhes derramadas (Carlos Alberto R. de Araújo – A Igreja dos Apóstolos,  CPAD).

b) Presbíteros. As palavras: presbítero, ancião e bispo, são usadas no Novo Testamento com o mesmo significado (ler 1Pedro 5:1-9). A palavra presbítero vem de presidir. Eles são responsáveis pelo governo e administração da igreja local (todo presbítero é pastor, mas nem todo pastor é presbítero). Na Bíblia Sagrada, a igreja em uma localidade era governada por um conjunto de presbíteros (o presbitério). Com o tempo, o primeiro dos presbíteros passou a ser chama de Bispo.

O presbitério na Igreja Primitiva


Nas igrejas neotestamentárias o “presbítero” era o discípulo que, tendo alcançado maturidade doutrinária comprovadamente elevada, era estabelecido formalmente para exercer um de seus ministérios de liderança eclesiástica.

O presbitério na Igreja Contemporânea


Quanto à diversidade de interpretações na Igreja contemporânea acerca da função do presbítero:

-          Na Igreja Presbiteriana, o Presbítero é um clérigo ordenado (governante) ou um leigo (educador), com o conjunto desses presbíteros formando o corpo governante.

-          As Igrejas Batistas denominam como Presbitério, o Ministério Pastoral.

-          Na Igreja Congregacional, os presbíteros formam o segundo nível administrativo.

-          Na Igreja Assembleia de Deus, os presbíteros compõem o terceiro nível de liderança eclesiástica.

c) Mestres. Em 1Coríntios 12:28 o apóstolo Paulo registra: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, mestres...”. O termo “Mestres” refere-se ao dom concedido por iniciativa de Deus a alguns de seus servos tendo como objetivo, por meio deles, instruir os discípulos do seu rebanho e defender a fé cristã contra os inimigos da igreja.

Os “Mestres” exerciam possivelmente um ministério de liderança eclesiástica fixa, servindo no ensino aos discípulos, a fim de transmitir-lhes conhecimento e inspirá-los quanto às verdades cristãs. Os que atuavam nesse ministério seriam capazes de pesquisar, sistematizar e sumarizar as verdades da revelação divina, levando os discípulos a discernirem espiritualmente fatos bíblicos que a razão humana por si só não é capaz de perceber de forma clara.

A função do “Mestre” incluía não só o ensino aos discípulos, mas também a defesa da Palavra diante dos adversários da fé cristã. Estas duas esferas de atuação faziam parte do ministério da liderança didática, objetivando o cumprimento da Grande Comissão: “Ide...pregai o evangelho....fazei discípulos... ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei....”(Mt 28:19,20). O texto de Tiago 3:1 destaca claramente que os que se dedicavam a esse ministério deviam obrigatoriamente ensinar com competência e seriedade, pelo fato de que receberiam juízo mais severo que os demais discípulos.

2. Objetivo dos dons ministeriais. Na visão do apóstolo Paulo, os dons ministeriais são dádivas concedidas por Cristo para “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não mais sejamos como meninos inconstantes, levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que, com astúcia, enganam fraudulosamente”(Ef 4:12-14).

Não se trata de operações episódicas, de demonstrações esporádicas e temporalmente limitadas, com vistas a um consolo, uma exortação, o suprimento de uma necessidade ou uma instantânea manifestação do poder de Deus para a igreja. Mas, de uma atividade contínua no meio do povo de Deus, para que a igreja cumpra com suas tarefas neste mundo: a evangelização e o aperfeiçoamento dos salvos. Através dos dons ministeriais, Cristo concede à Igreja homens que, diuturnamente, estarão servindo ao corpo de Cristo, que serão, eles mesmos, verdadeiros dons para a igreja.

Em resumo, os dons ministeriais são concedidos para aperfeiçoar ou equipar todos os crentes a fim de poderem servir ao Senhor e então edificarem o “corpo de Cristo”. O processo é assim: (a) Os dons equipam os santos; (b) Os santos então servem; (c) O corpo enfim é edificado.

Conforme Efésios 12:14, quando os dons operam de acordo com a vontade de Deus e os santos são ativos no serviço do Senhor, três perigos são evitados: imaturidade, instabilidade e ingenuidade.

- Imaturidade – “....para que não mais sejamos como meninos”.  Há crentes que nunca deixam de ser meninos espirituais, por falta de envolvimento no serviço de Cristo, e também porque não se dedicam à leitura devocional e ao estudo sistemático da Palavra de Deus. São subdesenvolvidos precisamente por falta de exercício nestes pilares. Foi para pessoas assim que o autor da Epístola aos Hebreus disse: ”Quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine de novo”(Hb 5:12).

- Instabilidade – “...inconstantes”. Instabilidade espiritual é um perigo! Cristãos imaturos são susceptíveis a novidades grotescas e modismos transitórios criados por charlatões profissionais. Tornam-se ciganos religiosos, andando de um lado para outro, isto é, inconstantes.

- Ingenuidade – “...levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens”. O perigo mais sério é a decepção. Os meninos espirituais são inexperientes na palavra da justiça. Suas faculdades não são exercitadas para discernir o bem e o mal(Hb 5:13,14). Encontram inevitavelmente alguém de uma seita falsa que os impressiona com seu zelo e sinceridade aparentes. Por empregar palavras religiosas, acreditam que se trata de um cristão verdadeiro. Se tivessem estudado a Bíblia Sagrada, perceberiam o quanto tal indivíduo joga traiçoeiramente com palavras. Por isso, que o ensino bíblico constante e progressivo, sob a unção de Deus, é indispensável para impedir que os crentes “meninos espirituais” sejam levados por "todo o vento de doutrina" (Ef 4:14).

3. Jesus teve a plenitude de cada dom ministerial. Quando Jesus estava na terra, Ele exerceu plenamente cada função do ministério. Porém, quando Ele voltou para o Pai, Ele deu estes dons aos homens para que eles completassem a obra que Ele tinha começado.

a) Apóstolo. Jesus foi o “Enviado,” um Apóstolo. Ele é chamado o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão – “Pelo que, irmãos santos, participantes da vocação celestial, considerai a Jesus Cristo, apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão” (Hb 13:1).

b) Profeta. Jesus foi um Profeta debaixo da Velha Aliança  - “E disse: Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido na sua pátria” (Lc 4:24). “Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta”(João 4:19).

c) Pastor de Ovelhas.  Jesus foi o bom Pastor (de ovelhas). A mesma palavra em grego é traduzida como pastor – “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido”(João 10:14). “E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória” (1Pe 5:4). “Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas, agora, tendes voltado ao Pastor e Bispo da vossa alma” (1Pe 2:5).

d) Evangelista. Jesus era um Pregador – um Evangelista – Ele pregou o evangelho do reino – “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a  curar os quebrantados do coração” (Lc 4:18).

e) Mestre. Jesus foi o maior dos Mestres  - “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mt 9:35).

4. Não confunda dom com título. Devemos distinguir os dons ministeriais dos “títulos ministeriais” ou dos “cargos eclesiásticos”. Nos nossos dias, muitos têm confundido estas duas coisas, que são completamente diferentes.

O dom é uma dádiva de Cristo, é um dom que vem diretamente do Senhor para o crente, dom este que é percebido pelo crente através da comunhão que tem com Deus e pela presença do Espírito Santo na sua vida e que independe de qualquer reconhecimento humano, mesmo da igreja local.

Já os “títulos ministeriais” e os “cargos eclesiásticos”, são posições sociais criadas dentro das igrejas locais, posições estas que, em sua nomenclatura, muitas vezes estão baseadas na relação de Ef 4:11, como a indicar que o seu ocupante tem o referido dom ministerial, mas que, nem sempre, corresponde a este dom.

Como a igreja local, via de regra, é também uma organização humana, acabam sendo criados “títulos” e “posições” com o propósito de esclarecer a hierarquia administrativa, a própria estrutura de governo da organização eclesiástica, dados que, se apenas refletem uma necessária ordem que deve existir em todo grupo social, nada tem que ver, a princípio, com os dons ministeriais.

Na igreja primitiva, notamos, claramente, que, apesar da existência de uma organização da administração das igrejas locais (At 14:23), o que é necessário já que cada igreja local precisa ter governo, também não é menos notado que não havia muita preocupação com “títulos” ou “posições”, tanto que, no texto sagrado, os incumbidos do governo da igreja, com exceção dos apóstolos (estes próprios assim estabelecidos pelo próprio Jesus, cujos requisitos se encontram em At 1:21,22) e dos diáconos (At 6:5,6, cuja função é nitidamente administrativa e social), são chamados de vários nomes, indistintamente, como “presbíteros” (1Pe 5:1), “anciãos” (At 14:23) e “bispos” (At 20:28; Fp 1:1), prova de que não havia, àquela época, uma “carreira administrativo-eclesiástica”, como se tem hoje em dia.

CONCLUSÃO


Quando Deus comissiona alguém, Ele o faz não com a expectativa de que o plano traçado poderá dar certo. O Senhor, na Sua presciência, sabe que o planejado se cumprirá, mesmo que dele façam parte homens e mulheres falhos. O chamado de Deus traz embutido, em si mesmo, a capacitação necessária para que o crente cumpra fielmente o desígnio divino, os planos dele não podem ser frustrados. Que cada um de nós esteja pronto para ser usado por Deus”.

--------

Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.

Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.

O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.

Dinheiro – a prosperidade que vem de Deus – rev. Hernandes Dias Lopes.

O que a Bíblia Ensina Sobre a Igreja e seu Dinheiro? - Dennis Allan.

O árduo trabalho missionário – Ev. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal, CPAD.

A Igreja dos Apóstolos (conceito e forma das lideranças na igreja primitiva) – Carlos Alberto R. de Araújo.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

FILIPENSES A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja


Lições Bíblicas 3º Trimestre 2013 - CPAD
Comentarista: Pr. Elienai Cabral 

Eis o título das lições:

Lição 1: Paulo e a igreja de Filipos.
Lição 2: Esperança em meio a adversidade. 
Lição 3: O comportamento dos Salvos em Cristo. 
Lição 4: Jesus o modelo ideal da humanidade.
Lição 5: As virtudes dos Salvos em Cristo.
Lição 6: A fidelidade dos Obreiros do Senhor.
Lição 7: A atualidade dos conselhos Paulinos. 
Lição 8: A suprema aspiração do crente. 
Lição 9: Confrontando os inimigos da cruz de Cristo.
Lição 10: A alegria dos Salvos em Cristo.
Lição 11: Uma vida cristã equilibrada.
Lição 12: A reciprocidade do amor cristão.
Lição 13: O sacrifício que agrada a Deus.

A CPAD (Casa Publicadora das Assembleias de Deus) divulgou recentemente o tema que será abordado nas Escolas Dominicais de todo o país que utilizam a sua revista, para o 3º Trimestre de 2013. Trata-se da Carta de Paulo aos Filipenses. o subtítulo escolhido foi: "A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja" 

A escolha do tema reflete a perspectiva que a CPAD vem adotando já há algum tempo de anualmente estudar um livro ou assunto relacionado ao Antigo Testamento e outro ao Novo Testamento, deixando os dois trimestres restantes para assuntos com temática mais abrangente. 

Fico feliz pela escolha do livro de Filipenses, carta escrita por Paulo quando estava aguardando julgamento em prisão domiciliar, e que, apesar de tais circunstâncias é chamada por Eugene Peterson de "a carta mais alegre de Paulo". Nela, aprendemos a partir do exemplo de Cristo o valor da humildade e a verdadeira base da alegria cristã. Que nos legremos durante este trimestre! 

Vale a pena lembrar que o 3º Trimestre na EBD começa no dia 7 de Julho e estende-se até o dia 29 de setembro.


Leitura Recomendada

Filipenses, introdução e comentário Série cultura bíblica Ralph P. Martin

terça-feira, 21 de maio de 2013

Compre artes para igreja

Este blog é destinado a criação de trabalho de artes para igrejas e eventos com único proposito de glorificar a Deus e assim oferecer um serviço de qualidade e rapidez.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Canais de TV evangélicos online

Uma seleção com alguns canais de televisão evangélicas online





Rede Boas Novas



Louve TV
Rede Super
 
Rede Gospel 
Rede Gênesis

Israel e o mês de maio



Estado de Israel comemora 65 anos neste mês

O mês de maio é muito significativo para O Estado de Israel. Grandes acontecimentos se deram nesse mês, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a começar pela derrota da Alemanha nazista, em 8 de maio de 1945. Depois da vitória dos Aliados, Israel finalmente poderia se estruturar para ter o seu Estado proclamado. E isso aconteceria três anos mais tarde.

Em 14 de maio de 1948, terminou o Mandato Britânico. O domínio da Grã-Bretanha sobre Israel perdurou por trinta anos (1918-1948). À época, a população judaica na Terra de Israel era de 650 mil pessoas e já formava uma comunidade organizada, com instituições políticas, sociais e econômicas bem desenvolvidas. Israel já era uma nação em todos os sentidos, faltando apenas a oficialização do Estado. Naquele mesmo dia foi proclamado o Estado de Israel, de acordo com o plano de partilha da ONU (Organização das Nações Unidas) de 1947.

Apenas onze minutos após essa proclamação, o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, reconheceu o Estado de Israel. Isso marcou o início de uma profunda amizade e respeito mútuo, baseados em valores democráticos comuns, decorrentes de sistemas políticos e jurídicos firmemente apoiados nas tradições liberais. O relacionamento entre eles é tão bom que, às vezes, eles “concordam em discordar”. Em um único dia (14 de maio de 1948), Israel se tornou independente da Grã-Bretanha, teve o seu Estado proclamado e firmou uma amizade com a maior potência mundial. Mas, no dia seguinte, começariam as dificuldades.

Menos de 24 horas após a proclamação do Estado de Israel, os exércitos regulares de Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o novo país, forçando Israel a defender a soberania que acabara de conquistar. Essa Guerra da Independência, vencida por Israel, durou quinze meses (maio de 1948-julho de 1949) e ceifou a vida de seis mil israelenses (quase 1% da população). Mas, ainda durante esse período, os israelenses obteveram uma grande vitória no âmbito político. Em 11 de maio de 1949, o Estado de Israel se tornou o 59º membro das Nações Unidas.

Em 1960, um dos principais organizadores do programa de extermínio nazista durante a Segunda Guerra Mundial, Adolfo Eichmann, foi levado para Israel a fim de ser julgado segundo a legislação israelense de punição aos nazistas e seus colaboradores, criada em 1950. Eichmann, considerado culpado de crimes contra a humanidade e o povo judeu, foi condenado à morte e enforcado em 30 de maio de 1962. Essa foi a única vez em que a pena de morte foi aplicada sob a lei israelense. 

Cinco anos mais tarde aconteceria a Guerra dos Seis Dias. Em maio de 1967, o Egito novamente deslocou um grande número de tropas para o deserto do Sinai, ordenando que as forças de manutenção de paz da ONU se retirassem da Palestina. Israel, então, invocando seu direito inerente de autodefesa, obteve grande vitória, após seis dias de combate.

Em maio de 1994, com o objetivo de por termo ao conflito israelo-palestino e, pelo menos, minimizar o conflito árabe-israelense, Israel e a então OLP (Organização para Libertação da Palestina) deram um importante passo. Israelenses e palestinos, que tinham assinado em Washigton D.C., nos Estados Unidos, uma Declaração de Princípios, começaram a conversar, visando ao estabelecimento de um autogoverno na Faixa de Gaza e na área de Jericó. A última etapa das negociações entre eles se iniciaram, de acordo com o que estava previsto, em maio de 1996. Nesses mesmos mês e ano, Israel abriu escritórios de representação comercial em Oman e no Qatar.

Diante do exposto, aproveito este mês de maio para parabenizar, mais uma vez, a todo o povo israelense pelo aniversário de 65 anos de proclamação do Estado de Israel. Finalizo, pois, este artigo citando um trecho veterotestamentário das Escrituras Sagradas: “Rogai ao Eterno pela paz em Jerusalém! Prosperem os que te amam, ó Jerusalém! Haja paz em teus baluartes e segurança em teus palácios. Por amor a meus irmãos e companheiros, rogarei por Tua paz. Por amor à Casa do Eterno, nosso Deus, buscarei sempre o Teu bem” (Bíblia Hebraica, Editora Sêfer, Salmo 122). 

Ciro Sanches Zibordi