quarta-feira, 27 de novembro de 2013

10 Coisas que os mórmons não falam


Hoje em dia o numero de missionários de tempo completo enviado pela igreja mórmon somam dezenas de milhares. A maioria são jovens na sua adolescência tardia o no inicio dos seus vinte anos, mas a igreja dos mórmons também tem em suas fileiras mulheres jovens e pessoas aposentadas. Os missionarias são fáceis de identificar por suas camisas brancas, seus crachás negros e suas bicicletas. Em alguns lugares onde não possível mover de bicicletas, eles andam.

Nas páginas de um manual de instruções missionárias, contém a meta de um missionário mórmon muito clara "Sua meta é ajudar os investigadores (Pessoas interessadas na igreja mórmon) a converte-se pelo Espirito e ser batizado no reino de Deus(Igreja Mórmon)" (Instruções para discussões, 1986). 

Utilizando uma apresentação sutil e semi-memorizada, os missionária tratam de converse que tua igreja está equivocada. Enquanto eles tentam expor as virtudes de sua igreja. Existem muitos ponto que não estão muito disposto a falar.

As seguintes citações podem ser encontradas em publicações mórmons autenticas. Convidamos os nossos leitores a verificar as nossas fontes para seguração do contexto.

1. Eles são relutantes em dizer que o Deus que eles adoram nem sempre foi Deus.
"Temos imaginado e suposto que Deus era Deus desde toda a eternidade. Rejeito essa ideia, e tirarei o véu, para que você possa ver.(Teachings of the Prophet Joseph Smith, pg.345).

2Eles são relutantes em dizer que eles creem que Jesus Cristo é um espirito irmão de Satanás

"A nomeação de Jesus para ser Salvador do mundo foi contestada por um dos outros filhos de Deus. Ele foi chamado de Lúcifer, filho da manhã. Orgulhoso, ambicioso e avarento de poder e glória, este espírito-irmão de Jesus tentou desesperadamente para se tornar o "Salvador da humanidade." (Milton R. Hunter, Gospel Through the Ages , 15 pg.).

3. Eles são relutantes em dizer que de acordo com o mormonismo, Jesus Cristo era polígamo.
Acho que alguns dos artigos orientais me representam como um grande blasfemo, porque eu disse na minha palestra sobre casamento, em nossa última conferência, que Jesus Cristo foi casado em Caná da Galiléia, que Maria, Marta e outros eram suas esposas, e ela concebeu filhos. " (Orson Hyde, Journal of Discourses 2:210)
"A grande razão para a explosão do sentimento público a considerar anátema para Cristo e seus discípulos, fazendo com que a sua crucificação, foi evidentemente baseado na poligamia, de acordo com o testemunho dos filósofos que se levantaram na época. Uma crença na doutrina da pluralidade de esposas causou a perseguição de Jesus e seus seguidores. quase poderia pensar que eles eram "mórmons" (Jedediah M. Grant, Journal of Discourses 1:346).

4.Eles são relutantes em dizer que pelo menos durante meio século, os líderes da igreja ensinou que Adão foi realmente Deus e o único Deus com quem temos que ver.

"Ouvi agora, ó habitantes da terra, judeus e gentios, santos e pecadores! Quando nosso pai Adão entrou no jardim do Éden, e veio com um corpo celestial, e trouxe Eva, uma de suas esposas, com ele. O ajudou a fazer e organizar este mundo. Ele é Miguel, o Arcanjo, o Ancião dos Dias, de quem santos homens têm escrito e falado -. Ele é nosso Pai e nosso Deus, e o único Deus com quem temos que ver " (Brigham Young, Journal of Discourses 1:50).

5.Eles vão estar relutantes em dizer que Brigham Young, que dirigia o escritório do presidente da Igreja Mórmon mais tempo do que qualquer outro homem, pensou homens devem praticar a poligamia para se tornar deuses.

"Os únicos homens que se tornam deuses são aqueles que entram em poligamia" (Journal of Discourses 11:269)

6. Eles vão estar relutantes em dizer que o Livro de Mórmon não tem qualquer doutrina Mórmon. Muitas partes desta escritura Mórmon contradiz ainda mais a teologia mórmon.
7. Eles serão relutantes em falar sobre suas cerimônias secretas do templo, que até abril de 1990, descreveram os ministros cristãos como mercenários de Satanás.
Nem vou falar sobre a roupa interior sagrado que estão vestindo o que, acreditam eles, protege atualmente.
8. Eles vão estar relutantes em dizer que os líderes mórmons ter pensado que Jesus foi concebido por uma relação sexual entre Deus e Maria.
".. Como eles são concebidos crianças? Eu respondo como Jesus Cristo foi concebido por seu pai A diferença entre Jesus Cristo e os outros homens é esta:. Nossos pais na carne são homens mortais, que estão sujeitos a morrer, mas o Pai de Jesus Cristo na carne é o Deus dos céus "(Joseph F. Smith, Family Home Evening Manual 1972, pg.125)
"Cristo foi concebido por um Pai imortal da mesma forma que os homens mortais são concebidos por pais mortais." (Bruce McConkie, Mormon Doctrine , pg.547)
9. Eles vão estar relutantes em dizer que eles acreditam que a Bíblia foi corrompida pelos séculos e não pode ser completamente confiável por si só.
"Eu acredito na Bíblia vieram das penas dos escritores originais. Tradutores ignorantes, transcritores descuidados e sacerdotes corruptos cometeram muitos erros "( Teaching of the Prophet Joseph Smith , pg. 327).
"Mas a Bíblia foi roubada de sua veracidade, muitos textos sagrados foram perdidos, outros foram rejeitados pela Igreja Romana, e os poucos que ficaram, foram copiados e recopiado muitas vezes, esto há admitiu, que quase todos os versos foi corrompido e mutilado na medida em que quaisquer dois deles se ler iguais ". (Orson Pratt, The Seer , pg.213).
10. Eles vão estar relutantes em dizer que o livro os mórmons e das Doutrinas e Convênios, Que proclamam serem ambos sagrados e sem erros, se contradizem e um ao outro muitas vezes.
Em verdade, assim diz o Senhor a ti, meu servo Joseph, já que te dirigiste a mim para saber e compreender como eu, o Senhor, justifiquei meus servos Abraão, Isaque e Jacó; assim como Moisés, Davi e Salomão, meus servos, no que diz respeito ao princípio e doutrina de terem muitas esposas e concubinas " 
Por Bill McKeever
Adaptado da Fonte Original em Espanhol traduzido pela Dra Luris González em  Mormonism Research Ministry


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Calvino teria falado em línguas?


Por Silas Daniel
O pastor reformado John MacArthur realizou uma conferência em sua igreja Comunidade da Graça, de Sun Valley, nos Estados Unidos, intitulada “Fogo Estranho” (“Strange Fire”). O foco do evento foi atacar, como um todo, colocando juntos no mesmo saco, os movimentos carismático e pentecostal como um mal para a igreja no mundo, e pregar o cessacionismo, isto é, a crença de que os dons espirituais cessaram, tendo se restringido apenas aos dias apostólicos. O detalhe é que MacArthur convidou pentecostais a virem assistir ao evento para saírem de lá cessacionistas. Mais de 3 mil pessoas participaram, mas parece que o número de pentecostais que aceitou ao tal convite foi muito pequeno. E, pelo menos até agora, não há notícias de algum que tenha eventualmente saído de lá cessacionista.

Um dos pastores reformados dos EUA que defendem a contemporaneidade dos dons espirituais, o pastor Mark Driscoll, tentou distribuir do lado de fora da igreja de MacArthur, aos interessados, exemplares de um de seus livros que trata sobre o assunto. Segundo Driscoll, ele o fez “para enriquecer o debate sobre o tema”, mas seu livro foi impedido de ser distribuído nas proximidades da igreja de MacArthur.

Bem, se MacArthur queria provocar barulho para chamar a atenção das pessoas para o seu novo livro, lançado durante a conferência, e que fala sobre o mesmo assunto e tem o mesmo título (“Strange Fire”), ele parece que conseguiu. A imprensa evangélica nos EUA noticiou bastante o desafio de MacArthur e a reação evangélica nacional a ele. Ele sofreu várias críticas, as quais tentou rebater ontem, em entrevista ao jornal norte-americano The Christian Post. Pretendo postar nesta semana ainda um artigo em cima de suas respostas.

Hoje, porém, gostaria de, na esteira desse assunto, contar uma história bastante interessante. Soube dela há uns três anos, através de um blog norte-americano reformado pentecostal, mas, talvez por falta de oportunidade propícia, nunca contei ela em artigos por aqui. O senhor MacArthur acabou me lembrando dessa história.

Há 38 anos, mais precisamente na sua edição de 24 de março de 1975, o jornal The Paper, uma publicação do Seminário Teológico Gordon-Conwell, nos EUA, trouxe um artigo, na sua página 6, intitulado “Calvin Speaks Unknown Tongue” (“Calvino Fala Língua Desconhecida”), de autoria de Quent Warford.

No referido artigo, Warford começa falando sobre as muitas perguntas que estavam sendo feitas naqueles dias depois da revelação, vinda do Episcopal Divinity School, de que ninguém menos que Teodoro Beza, em um trecho do original em latim de sua conhecida biografia de Calvino, afirma que este teria falado em línguas enquanto orava. Para quem não sabe, Beza foi contemporâneo e amigo dos mais próximos de Calvino – na verdade, um confidente deste. A biografia escrita por seu amigo e confidente Teodoro Beza é intitulada ‘De Vitam Iohannes Cauvin’ (“A Vida de João Calvino”).

Diante da revelação, Warford confessava que “pessoalmente” achava “ridícula” qualquer ideia de que Calvino havia “experimentado a glossolalia” e que, “portanto, a única coisa lógica a fazer era seguir o conselho do meu querido professor de História da Igreja e ir à fonte primária”.

Warford conta que, no começo, teve certa dificuldade de chegar até à obra, porque o volume que supostamente continha as informações de expressões de êxtase de Calvino estava “no Cofre da Sala de Livros Raros da Biblioteca da Episcopal Divinity School” e “entrar no Cofre envolve uma grande dose de burocracia”. Mas, depois de uma ajuda, conseguiu chegar à obra.

Diz Warford que Beza contava que Calvino, em suas orações, falou uma língua desconhecida. E por ser um “linguista habilidoso”, Calvino procurou definir que língua era aquela que falara. “Incapaz de rastreá-la, ele confidenciou a Beza que, embora a linguagem tivesse uma característica hebraica, ele ainda temia que tivesse falado uma 'lingua barbaroum' ["língua bárbara"], ou seja, ele temia ter falado em uma língua maldita, como a que era falada pelos cananeus”.

Warford termina informando que seu colega Ken Macari o ajudou na tradução do latim e que o fato foi narrado por Beza sem muito destaque, “apenas algumas frases em ‘De Vitam Iohannes Cauvin’”. E acrescenta, tentando suavizar a importância do registro: “A preocupação de Calvino era apenas uma questão de linguística. Portanto, não há fonte primária com material suficiente para construir um caso de uma maneira ou de outra”.

Bem, vejamos: Calvino, em suas orações devocionais, falou, estranha e espontaneamente, em uma língua desconhecida por ele, o que o deixou impressionado. Como temia que tivesse falado em uma língua parecida com a de um povo pagão do passado, temeu não ser uma experiência sadia. Em seguida, comentou com seu amigo e confidente Beza, e depois deixou para lá o caso.

Bem, o que vocês acham, queridos leitores? Parece que o grande reformador João Calvino teve uma experiência pentecostal e se afastou dela por medo. Infelizmente. Que pena, Calvino!
(P.S.: Gostaria muito de conhecer o texto original em latim da biografia de Calvino escrita por Beza que se encontra na Biblioteca da EDS. Você também não gostaria? E para quem quiser ler mais sobre essa história, clique AQUIAQUI e AQUI).

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

As sandices de John MacArthur



Por Silas Daniel 

Como prometido, segue abaixo algumas reflexões sobe declarações do pastor John MacArthur ao site do The Christian Post, nos EUA, no domingo, 20 de outubro. Os trechos traduzidos da matéria com MacArthur vêm em itálico e minhas observações em texto normal.
 
Para aqueles que disseram que MacArthur está atacando seus irmãos em Cristo, MacArthur respondeu que ele “desejava que pudesse afirmar isso [chamá-los de irmãos]”. [Mas,] Em sua opinião, como ele e seus colegas oradores observaram durante a conferência, o movimento carismático é feito, em grande parte, por “não-cristãos”.

Eu, sinceramente, não me importo se John MacArthur escreve e prega o cessacionismo. E daí? Problema dele. Ele tem todo o direito de fazê-lo. E obviamente também nem me importo de ele fazer uma conferência para defender, entre outras coisas, o cessacionismo. E daí? A igreja dele é pastoreada por ele e ela apóia fielmente o seu líder. Aliás, todos os anos MacArthur faz conferências em sua igreja e o templo desta, com capacidade para 3 mil pessoas, sempre enche, não só de visitantes, mas principalmente com o seu próprio povo, como prova de apoio ao seu líder. Neste ano, não foi diferente.

Os três únicos problemas são que MacArthur fez questão de desafiar publicamente pentecostais tratando-os como hereges; distorceu o próprio ensino pentecostal para asseverar a questão entre continuísmo e cessacionismo como uma doutrina primária, essencial, de suma importância para a saúde da fé de qualquer cristão, e não como uma doutrina secundária; e ainda colocou, no mesmo saco, pentecostais clássicos e neopentecostais. Aí não dá. As críticas que MacArthur sofreu por essa conferência foram justamente relacionadas a esses radicalismos e injustiça.

Em primeiro lugar, pentecostais clássicos têm a Bíblia como a sua única regra de fé e prática, e justamente por isso pregam constantemente contra “novas revelações” que se chocam com a Bíblia ou querem acrescentar algo a ela.

E em segundo lugar, pentecostais clássicos também pregam contra a Teologia da Prosperidade, contra a Confissão Positiva, contra o “cair no Espírito”, contra a “unção do riso” etc, que são desvios neopentecostais.

Como se não bastasse isso, ainda temos que ouvir MacArthur afirmar que acredita que a maioria dos cristãos no mundo que dizem crer na contemporaneidade dos dons espirituais é, na verdade, de “não-cristãos”.
 
“Se a questão [da continuidade ou não dos dons espirituais] não é clara – como alguns estão dizendo –, ela só se tornou clara sob a influência dos falsos mestres? Ficou clara para os apóstolos; ficou clara para os Pais da Igreja Primitiva; ficou clara para os reformadores; ficou clara para os puritanos; ficou clara nos credos, como a Confissão de Westminster; ficou clara para os teólogos reformados como B. B. Warfield; ficou clara para Spurgeon; ficou clara, nos tempos mais modernos, a R. C. Sproul. Terá agora se tornado clara por causa de Aimee Semple McPherson, Jimmy Swaggart, Jim Bakker e Kenneth Copeland? Essa é uma idéia ridícula”.

Não, MacArthur, a não descontinuidade dos dons espirituais se tornou clara para nós pelos próprios apóstolos, pela própria Bíblia Sagrada, a única regra de fé e prática para qualquer crente genuinamente pentecostal. Não há nenhum texto bíblico que diga que os dons espirituais não são mais para os nossos dias.

E a questão ficou clara também para Pais da Igreja e grandes nomes da Igreja dos primeiros séculos como Justino Mártir (100-165), Irineu (115-202), Teófilo de Antioquia (120-186), Tertuliano (160-220), Novaciano (200-258), Gregório Taumaturgo (213-270) e Hilário de Poitiers (300-368), mas, infelizmente, foi renegada pela maioria dos Pais da Igreja do terceiro século em diante como reação aos desvios Montanistas.

Apesar disso, há registros de contemporaneidade dos dons espirituais durante a Alta Idade Média e, depois, entre os valdenses, nos séculos 12 a 15, e com os anabatistas, no século 16; entre os quacres e pietistas, no século 17; na França, entre os Camisardes, chamados de “calvinistas das cavernas”, no século 18; na Finlândia, também no século 18, durante o avivamento que impactou os luteranos naquele país e que ficou conhecido como “Heränneet”; além de entre os Morávios, na República Tcheca, na mesma época. Nos séculos 18 e 19, há ainda registros na Inglaterra, Rússia, Estados Unidos, Indonésia, Escócia, Austrália, Brasil (sim, entre batistas no Rio Grande do Sul, 30 anos antes da chegada de Gunnar Vingren e Daniel Berg), Armênia, Alemanha, África e Noruega, dentre outros países.

A contemporaneidade de todos os dons espirituais, inclusive a glossolalia, foi clara para John Wesley (1703-1791), que a defendeu em carta ao pastor Conyers Middleton (The Works of John Wesley, A Letter to the Rev. Dr. Conyers Middleton, volume 10, pp. 54 a 56). Essa carta pode ser lida clicando AQUI.

A contemporaneidade dos dons espirituais foi clara para o célebre batista inglês F. B. Meyer (1847-1929), sobre o qual o cessacionista Spurgeon disse certa vez: “Ele prega como um homem que viu Deus face a face”.

Ela foi clara para o reverendo R. B. Swan, sua esposa e alguns membros de sua igreja em Providence, Rhode Island, EUA, em 1875, que receberam todos, segundo depoimento do próprio Rev. Swan, a glossolalia. E o que dizer dos relatos e/ou experiências próprias de glossolalia registrados nos séculos 18 e 19 por Thomas Walsh, William Doughty, William Arthur, Horace Bushnell, V. P. Simmons, J. C. Aroolappen e tantos outros?

Em 1801, há 212 anos, nos Estados Unidos, na localidade de Cane Ridge, Kentucky, cerca de 3 mil pessoas, em um acampamento da Igreja Presbiteriana, entraram no que descreveram como “estado de júbilo”, com “centenas” delas “falando em línguas sobrenaturalmente” (Dicionário do Movimento Pentecostal, CPAD, 2007, p. 235).

A contemporaneidade dos dons espirituais foi clara para o célebre evangelista congregacional Dwight Lyman Moody (1837-1899), contemporâneo de Spurgeon e que foi, segundo historiadores, o homem que mais ganhou vidas para Jesus no século 19.

Ela foi clara também para o célebre pregador calvinista congregacional David Martyn Lloyd-Jones (1899-1981) (Leia AQUI excelente artigo de John Piper a respeito). E nos dias de hoje, a contemporaneidade dos dons espirituais é aceita por calvinistas como Wayne Grudem, J. I. Packer, John Piper, Craig Keener, D. A. Carson, Mark Driscoll, C. J. Mahaney, Tim Keller, Sam Storms, Matt Chandler, Vincent Cheung, James MacDonald, Matt Slick, James K. A. Smith, Johanes Lilik Susanto e Paul Walsher, só para citar os conhecidos. Porém, MacArthur ignora essa gente toda e cita ele e R. C. Sproul como referência sobre o assunto, como que querendo dizer que a teologia dele e de Sproul está acima da de todos estes outros colegas calvinistas. Com todo respeito que possamos ter por MacArthur e Sproul como ensinadores (eu mesmo gosto de muitos textos de Sproul), eles não são melhores teólogos do que muitos daqueles que acabei de mencionar.

E para piorar, MacArthur, ao final de sua fala, cita nomes do pentecostalismo que pregavam heresias ou que caíram em pecado, quando deveria lembrar de pentecostais como Stanley Horton, Anthony D. Palma, William Menzies, David Wilkerson, Roger Stronstad, Myer Pearlman, George Wood etc etc etc, todos seus compatriotas. Já imaginou se cometo o mesmo pecado de tomar todos os reformados por nomes dentre eles que os constrangem justamente por não representarem a maioria dos reformados ou o que pensa os reformados, seja pelo seu ensino ou comportamento? Não seria correto, seria? Seria profundamente desonesto, na verdade.
 
Outra acusação foi que MacArthur e os cessacionistas estão falando de algo que só é verdade para extremistas, lunáticos do movimento, e ele afirma que “obviamente não é verdade”, porque acredita que há erro no movimento carismático que varre todo o movimento. “Noventa por cento das pessoas em todo o mundo ligadas ao movimento carismático apropriam-se do evangelho da prosperidade”, disse ele. “24 a 25 milhões deles negam a trindade, 100 milhões deles são católicos romanos. Esta não é uma franja. Este é o movimento, e está crescendo a uma taxa rápida”, acrescentou.

Se juntarmos todos os católicos carismáticos, os unitaristas e os carismáticos e neopentecostais adeptos da Teologia da Prosperidade ou de outras heresias em todo o mundo, eles provavelmente não chegam sequer a 30% dos mais de 800 milhões de pentecostais no planeta. Colocar todos eles no mesmo saco é de uma irresponsabilidade e insensibilidade enormes. Nas igrejas pentecostais europeias, por exemplo, quase inexiste a Teologia da Prosperidade. E mesmo nos EUA, Brasil e África, onde a Teologia da Prosperidade é forte, há muitos pentecostais que pregam e ensinam contra ela, inclusive a maior denominação pentecostal do nosso país. 
 
“Se os líderes reformados que conhecem a verdade, o Evangelho e a Palavra de Deus não policiarem o movimento, os terroristas espirituais vão dominar”, disse ele.

A moda agora é chamar todo divergente de “terrorista”. Vide Obama, que chamou os parlamentares republicanos mês passado de “homens bomba”, “terroristas” e “incendiários”.

MacArthur já chamou carismáticos de “não-cristãos” e “terroristas”. O que falta agora? “Doentes mentais”? “Demoníacos”?
 
“O movimento carismático tem aberto mais amplamente a porta para o erro teológico do que qualquer outra aberração doutrinária nos dias de hoje”, acrescentou MacArthur, observando que no capítulo 12 de seu livro ele escreveu uma carta aberta a seus amigos continuístas.

O neopentecostalismo é que tem aberto. E mais uma vez ele coloca os males do mundo evangélico na conta dos continuístas de forma geral. É de uma desonestidade enorme. Será que ele não leu nenhum livro da profusão de livros apologéticos pentecostais nos EUA e no mundo combatendo os erros do neopentecostalismo?
 
“Se os dons praticados na igreja carismática de hoje são equivalentes aos descritos no Novo Testamento, então esses dons originais não tinham nada de especial”, disse ele, acrescentando que estes “degradam os verdadeiros dons que Deus deu à igreja do primeiro século”.
Ele acrescentou que o movimento “desonra o Espírito Santo, atraindo pessoas com falsificações, e faz as pessoas pensarem que elas não têm o que precisam, e que há algo lá fora que precisam perseguir”.

Esse foi o argumento mais tíbio de todos. Os dons só seriam extraordinários se ficassem circunscritos à Era Apostólica?

Quanto a eventuais falsificações, MacArthur esquece que falsas e distorcidas manifestações de dons espirituais ocorreram até nos tempos apostólicos, vide, só para citar um exemplo, as orientações de Paulo aos crentes em Corinto sobre desvios nessa área ali.

O que devemos fazer não é negar os dons porque há gente que os perverte, mas orientar em favor das manifestações sadias. Como diz um velho e sábio provérbio latino, Abusus non tollit usum – “O abuso não tolhe o uso”.

Não se joga o bebê fora junto com a água suja da bacia. Não se toma a maioria pela minoria. Não se deve transformar exceção em regra e regra em exceção. Regra é regra, exceção é exceção.

Quanto às declarações de que a contemporaneidade dos dons espirituais “desonra o Espírito Santo” e “faz as pessoas pensarem que elas não têm o que precisam, e que há algo lá fora que precisam perseguir”, trata-se de uma tremenda distorção das coisas:

1) Quem aceitou Jesus como Senhor e Salvador tem tudo o que precisa em termos de Salvação, mas isso não significa que os dons espirituais, que acompanham a Salvação, que são acessórios dela, não são importantes. Os dons (inclusive os espirituais) não são essenciais para a salvação, mas eles são importantes, porque foram dados à Igreja para a sua edificação, para o enriquecimento da vida cristã.

2) Desprezar os dons espirituais é que é negativo, pois é apagar uma ação específica do Espírito Santo em nossas vidas a qual tem por objetivo enriquecer ainda mais o nosso serviço a Deus e à Sua Igreja (1Ts 5.19-21).

3) A Bíblia nos orienta a buscarmos, a perseguirmos, “os melhores dons”, e inclusive menciona o de profecia como um destes melhores (1Co 14.1).
 
MacArthur também apontou para aqueles que são continuístas, auxiliando o problema, porque eles querem dar lugar para o movimento carismático e “não estão ajudando a resolver os problemas de falsa doutrina”.

Pois é, para MacArthur, gente como Wayde Grudem, J. I. Packer, John Piper e o falecido D. Martyn Lloyd-Jones seriam calvinistas que atrapalham, dando oportunidade à expansão da falsa doutrina. E como ele já disse que a maioria dos crentes continuístas é de “não-cristãos”, logo o próximo passo deve ser o Céu só para os cessacionistas. Não sei se ele vai chegar a tanto, mas ele já beira a isso em alguns momentos ao afirmar que seu cessacionismo não é uma questão secundária, mas de suma importância para toda a fé cristã.

Que pena. Em uma época em que os cristãos sérios deveriam se unir para combater males reais e comuns no meio evangélico, alguns deles dirigem seus ataques para o foco errado.

Fonte:CPAD NEWS